terça-feira, 25 de agosto de 2015

Queimadas mudam cenário em Oliveira e fumaça encobre região.

Queimadas mudam cenário em Oliveira e fumaça encobre região

Bombeiros têm dificuldade em atender ocorrências por conta de efetivo.
Fogo atingiu região onde fica o Cristo, um dos pontos turísticos da cidade.

 
Anna Lúcia Silva  
Do G1

Fogo, Oliveira, Cristo (Foto: Marcelo Praxedes/Divulgação) 
Fumaça muda cenário em Oliveira (Foto: Marcelo Praxedes/Divulgação)

Moradores de Oliveira têm percebido as mudanças visíveis no ar devido as constantes queimadas ocorridas em várias regiões da cidade. Além dos danos causados ao meio ambiente, eles temem problemas de saúde, que podem agravar devida a baixa umidade do ar que está em 35%, quando o ideal é ultrapassar 60%.
Na manhã desta terça-feira (25) a imagem do Cristo, ponto turístico da cidade no Bairro Domingos Ribeiro, foi coberta por fumaça provocada por uma queimada que já foi contida, de acordo com os bombeiros. Ainda segundo os militares, os atendimentos a focos de incêndio têm se tornado cada vez mais constantes no município. A principal suspeita é que o fogo seja provocado por donos de lotes, que na tentativa de renovar a vegetação ateiam fogo nas propriedades.
"Certamente são incêndios provocados por pessoas sem consciência. Não sabemos quem provoca, mas quem sofre com isso são os moradores e o meio ambiente", disse o sargento Geraldo Mauro de Rezende.

Fogo destrói vegetação em Oliveira (Foto: Marcelo Praxedes/Divulgação)Fogo destrói vegetação em Oliveira
(Foto: Marcelo Praxedes/Divulgação)

Ainda segundo o sargento, os militares já chegaram a atender mais de cinco ocorrências em apenas um dia. “Isso é muito complicado porque enquanto estamos atendendo uma ocorrência, já tem chamado de outra e aí não dá tempo e não temos condições de chegar onde a pessoa solicita, por conta de efetivo. Por isso, damos prioridade, por exemplo, quando o fogo ameaça residências. Como a demanda é muita, tem que dar prioridade onde o risco é maior, como também nas áreas de preservação permanente, quando há fogo próximo a córregos”, explicou o sargento.


Demandas
 
O pelotão em Oliveira é composto por 40 militares. Por dia trabalham seis nas ruas. São três veículos que dão suporte no combate ao fogo. Apenas um é equipado com mangueiras.  Neste caso, quando não precisa usar água os militares utilizam abafadores. “Em casos de lotes com fogo mais baixo, ou uma fazenda e um sítio mais distante, utilizamos os veículos sem mangueiras porque não podemos retirar o caminhão equipado da cidade, pois ele  precisa estar disponível em casos mais graves na região urbana”, destacou.

Oliveira, fogo, incêmdio (Foto: Marcelo Praxedes/Divulgação)Várias queimadas são registradas na cidade
(Foto: Marcelo Praxedes/Divulgação)

A vendedora Maria Helena reclama da fumaça que se espalha pela cidade. "Fica difícil respirar com essa fumaça densa no ar. Com certeza quem tem doença respiratória não consegue suportar. As roupas no varal ficam com cheiro e às vezes até sujam por conta da fumaça preta", disse.
A auxiliar administrativa Jacqueline Oliveira, também se preocupa com a saúde. Ela também relata que  as ocorrências de incêndio têm aumentado. "Infelizmente o problema está se agravando. A noite passado foi um caos depois que colocaram fogo na área de reserva perto do Cristo Redentor. É   ponto turístico da cidade e hoje novamente colocaram fogo numa mata dentro da cidade. Está horrível mesmo. Pessoas com problemas respiratórios já começam a sentir gravemente os efeitos”, disse.


Problemas de saúde
 
Segundo o médico Flávio Antônio Marcelino Alves, pessoas com doenças respiratórias não conseguem respirar normalmente e até quem não tem doença nenhuma pode desenvolver. "O que ocorre é que aumenta o número poluentes na fumaça e considerando a umidade baixa a poeira fica no ar e quem sofre principalmente são idosos e crianças. O frio somado à baixa umidade do ar e a uma maior concentração dos poluentes colaboram para doenças como infecções alérgicas, asma, renite e sinusite. Quem tem ainda doenças respiratórias crônicas a situação pode agravar”, explicou.

Oliveira, Fogo, incêndio (Foto: Marcelo Praxedes/Divulgação)Fumaça contribui para doenças, segundo médico
(Foto: Marcelo Praxedes/Divulgação)
 
O médico ainda conta que o organismo humano tem o funcionamento alterado com as baixas temperaturas e por isso a maioria sofre com as doenças de inverno. Além disso, a baixa umidade no ar compromete o sistema imunológico.
"Vários fatores contribuem com o aumento das doenças no inverno. Entre eles o aumento na convivência em ambientes fechados, esfriamento do corpo, imunidade baixa, entre outros. Além disso aquelas pessoas que sofrem com as alergias respiratórias", disse.
De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o tempo no Centro-Oeste permanece parcialmente dublado sem possibilidade de chuva. "A umidade do ar está na casa dos 35% e 75%. Tivemos registros no estado de até 17%. Uma umidade considerada boa é acima de 60%", destacou o meteorologista, Luiz Ladeia."

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