sexta-feira, 5 de junho de 2015

Prisão de professora suspeita pela morte do marido choca ex-alunos.

Prisão de professora suspeita pela morte do marido choca ex-alunos

Mulher é suspeita de encomendar assassinato do marido em São Paulo.
Ela dava aula em escola de Guaratinguetá; caso repercutiu entre ex-alunos.

Daniel Corrá 
Do G1

A vítima Eduardo Barreto e a mulher dele, Eliana Barreto, suspeita de participar da morte do marido (Foto: Reprodução/Facebook) Eliana é suspeita de encomendar morte do marido, Eduardo Barreto 
(Foto: Reprodução/Facebook)
Ex-alunos de Eliana Areco Barreto, de 46 anos, suspeita de planejar a morte do marido, ficaram chocados com a prisão dela nesta semana. Eliana era professora de língua portuguesa em uma escola particular de Guaratinguetá, no interior de São Paulo.
“Ela deu aula para mim no Ensino Médio e dava aula para o meu irmão. A história chocou todo mundo na cidade. Ninguém esperava isso, principalmente, por ser professora. Ficamos chocados”, conta a ex-aluna Fabíola Querido, de 22 anos.
Eliana era casada com o diretor comercial Luiz Eduardo de Almeida Barreto, de 49 anos, assassinado a tiros na segunda-feira (1º), em uma travessa da Avenida Engenheiro Luiz Carlos Berrini, no Brooklin, Zona Sul de São Paulo. Ela e o amante, Marcos Fábio Zeitunsian, de 46 anos, são os principais suspeitos de encomendar o crime.
Foi alguém que fez parte da nossa educação. Mas nunca ouvimos nenhum comentário negativo, nada. Ela era bem popular"
Fabíola Querido, ex-aluna de Eliana Barreto
A ex-aluna de Eliana diz que o assunto dominou até grupos de WhatsApp com os colegas. “Todo mundo começou a se lembrar de como ela era. Foi alguém que fez parte da nossa educação. Mas nunca ouvimos nenhum comentário negativo, nada. Ela era bem popular e gostava de brincar com todo mundo. Falava muito que trabalhava apenas para sustentar os luxos dela”, afirma Fabíola.

Segundo os estudantes, a mulher nunca demonstrou ter problemas com a família. "Fiquei bastante consternado quando vi a notícia. Não consegui trabalhar direito o resto da tarde comentando com os colegas. Logo que aconteceu o crime, até pensei em mandar uma mensagem de consolo para ela no Facebook", diz outro ex-aluno, que preferiu não ser identificado.

Investigação

Luiz Eduardo e Eliana estavam juntos há 30 anos e moravam em Aparecida, no interior de SP, com os dois filhos, de 15 e 17 anos. Neste ano, ela estava trabalhando em Guaratinguetá e ele, em São Paulo.
Eliana e Marcos se conheceram há 13 anos, quando tiveram um caso. Há dois anos eles se reencontraram e, desde então, a mulher mantinha a relação extraconjugal. Segundo a polícia, o amante se encontrava com a mulher da vítima nos intervalos de aula dela, em Aparecida, onde Marcos passou a ficar durante a semana bancado por Eliana.
A polícia chegou até Marcos vendo imagens de câmera de segurança da região onde ocorreu o crime, que mostraram o homem conversando com Eliezer Araújo, o homem que fez os disparos, e indicando quem era a vítima. Ao analisarem o Facebook de Marcos, os investigadores tiveram uma surpresa ao ver que ele era amigo da mulher de Luiz Eduardo na rede social.

A vítima Eduardo Barreto e a mulher dele, Eliana
Barreto, suspeita de participar da morte
do marido (Foto: Reprodução/Facebook)
A vítima Eduardo Barreto e a mulher dele, Eliana Barreto, suspeita de participar da morte do marido (Foto: Reprodução/Facebook)Assassinato encomendado

As investigações apontam que Eliana e Marcos planejaram o crime há cerca de um ano, em comum acordo. Marcos trabalhava na segurança de um shopping em Santo Amaro, em São Paulo. Ele teria feito contato com o parceiro de cela de Eliezer Araújo, que já saiu da cadeia, em 7 de maio, sabendo que ele executaria Luiz Eduardo.
Segundo a polícia, Eliana pediu um empréstimo no banco no valor de R$ 7 mil e transferiu o dinheiro para a conta de Marcos. O amante, por sua vez, teria pagado R$ 3 mil para Eliezer Araújo matar o executivo.
De acordo com as investigações, Luiz Eduardo teria ainda um seguro de vida de R$ 500 mil, e Eliana pretendia usar o dinheiro para montar uma loja para o amante em Guaratinguetá.


O crime e as prisões

Luiz Eduardo foi morto a tiros por volta das 14h30 de segunda-feira, quando voltava do almoço com um colega de trabalho. Ambos foram abordados na Rua James Watt, uma travessa da movimentada Avenida Engenheiro Luiz Carlos Berrini.
O criminoso pegou celulares e carteiras dos dois para simular um roubo. Depois, mandou o colega de Luiz Eduardo ir embora e disparou três vezes contra o executivo, que morreu no local, aparentemente sem ter esboçado qualquer reação.
Acionada por testemunhas, a Polícia Militar (PM) prendeu Eliezer perto da estação Berrini da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Ele estava com um revólver calibre 38 com numeração raspada e os pertences dos dois homens. Detido, ele confessou o crime e apontou os mandantes, segundo Anderson Pires Gianpaoli, delegado titular do 96º Distrito Policial, no Brooklin.
A mulher da vítima foi presa nesta quarta-feira (3) ao ir até a delegacia para prestar depoimento. Ela estava acompanhada do pai e do cunhado e teria confessado o crime. Marcos foi preso no apartamento onde mora, em Santana, Zona Norte de São Paulo.
A Justiça decretou prisão temporária de Eliana e Marcos por 30 dias. A mulher e o amante foram indiciados e podem responder por crime de homicídio. Eliezer, além de indiciado por homicídio, também vai responder pelo roubo, mesmo tendo sido simulado para encobrir a intenção real de assassinato.

Assassinato na região da Berrini foi encomendado, diz delegado (Foto: Glauco Araújo/G1) 
Assassinato na região da Berrini foi encomendado, diz delegado (Foto: Glauco Araújo/G1)

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