segunda-feira, 22 de junho de 2015

Pai esquece nome no cartório e filha vai oficializar 'Jadd' após 27 anos.

Pai esquece nome na hora do registro e filha oficializa 'Jadd' após 27 anos

Jovem consegue na Justiça direito de incluir nome de batismo no registro.
'Não pelo nome errado, mas pelo nome escolhido não ter dado certo', diz.

 
Do G1

Jadd conseguiu direito de incluir nome de batismo no registro (Foto: Fernando da Mata/G1 MS) 
Jadd conseguiu direito de incluir nome de batismo no registro 
(Foto: Fernando da Mata/G1 MS)
 
A assistente administrativo e estudante Jadd Maria Natividade Índio do Brasil de Menezes, de 27 anos, conquistou na Justiça o direito de incluir o nome de batismo 'Jadd' na certidão de nascimento. Tudo isso para consertar o esquecimento do pai ao registrá-la no cartório.

Mesmo sem estar no registro, escola usava nome Jadd (Foto: Jadd de Menezes/Arquivo Pessoal)Mesmo sem estar no registro, escola usava nome
Jadd (Foto: Jadd de Menezes/Arquivo Pessoal)

"Quando eu tinha 5 anos de idade, a minha mãe precisou me colocar na creche, mas eu ainda não era registrada e só o meu pai poderia me registrar no cartório. Na época, eles já estavam separados e ela pediu para ele me registrar como Jadd. Mas quando o meu pai chegou lá [cartório] e esqueceu meu nome, então o escrivão sugeriu que colocasse o nome da minha avó, porque era fácil de lembrar", relatou ao G1.
A decisão do pai de registrar a filha como Maria Natividade Índio do Brasil de Menezes contrariou a mãe, segundo a jovem. "Quando ela recebeu o registro, ficou muito contrariada. Ela pediu para o meu pai ir ao cartório e corrigir o meu nome, mas ele decidiu mantê-lo porque tinha posto aquele e disse que era para continuar o que ele tinha colocado. Como a minha mãe não podia fazer nada, ficou esse mesmo."
Mesmo a jovem não tendo sido registrada com o nome de batismo, a mãe insistia em chamá-la de Jadd. "Quando ela foi fazer o meu cadastro na escola, avisou para todos os professores que era para me chamar de Jadd e não de Maria. Até na lista de chamada tinha um risquinho no meu nome só para não esquecerem", disse a estudante, que ri ao lembrar da época.
Meu pai chegou lá e esqueceu meu nome, então o escrivão sugeriu que colocasse o nome da minha avó, porque era fácil de lembrar"
Jadd Maria Natividade Índio do Brasil de Menezes, 27 anos
Embora não tivesse no registro, com o tempo a jovem adotou Jadd como primeiro nome. Ela conta que sempre se apresentou com ele, mas quando ficava cansada de explicar o motivo se apresentava como 'Maria Jadd'. "Quando eu falava que meu nome era Maria Jadd não ficavam perguntando. Já quando as pessoas viam o meu RG achavam que Jadd era o meu apelido ou pensavam que eu tinha vergonha do meu nome."
"O mais engraçado é que, o Maria Natividade, que andou comigo todos esses 27 anos, não me incomoda mais. Depois de ter incluído o Jadd, ficou irrelevante, porque eu até poderia tirar esse nome, mas optei por deixar e mostrar que não era pelo nome dado errado, mas pelo nome escolhido não ter dado certo", ressaltou, dizendo ainda que o único incômodo era não ser chamada pelo nome de batismo.
A conquista foi consequência da ação da advogada Iasmin Siqueira, que entrou na Justiça em junho de 2014 para retificar o nome da estudante. Um ano depois do andamento do processo, o juiz Alexandre Tsuyoshi Ito, da 4ª Vara de Fazenda Pública e de Registros Públicos de Campo Grande, deu parecer favorável na quarta-feira (17), após uma audiência, para incluir Jadd no nome de registro da jovem.
Jadd ainda está utilizando os documentos com o antigo nome e deve atualizá-los em breve. "Como a audiência foi na quarta, estou aguardando o fórum emitir um ofício para atualização de todos os meus documentos. Sei que vou gastar uma 'graninha', mas vou feliz", afirmou.

Jadd Maria Natividade Índio do Brasil Menezes, 27 anos (Foto: Fernando da Mata/ G1 MS) 
Colegas de trabalho colaram mensagem ao lado do computador com 'Jadd' 
(Foto: Fernando da Mata/ G1 MS)

Nenhum comentário:

Postar um comentário