sexta-feira, 8 de maio de 2015

Estudantes dizem ter sofrido abuso policial após prisão em confronto.

Estudantes dizem ter sofrido abuso policial após prisão em confronto

'Me deixaram nua e me revistaram assim', diz garota presa em Curitiba.
Ministério Público investiga o caso ocorrido em protesto de professores.

 
Do G1, com informações da RPC
 



















Uma estudante universitária de Londrina, no norte do Paraná, afirma que foi humilhada por policiais militares, durante o confronto entre eles e manifestantes, no dia 29 de abril, no Centro Cívico, em Curitiba. A garota, que prefere não se identificar, foi presa na ocasião. Ela diz que os policiais a obrigaram a ficar nua e a xingaram dentro do Palácio Iguaçu, sede do governo estadual.
"Me deixaram nua e me revistaram assim, não colocaram a mão em mim mas fizeram eu ficar totalmente nua, de mão pra parede e me xingando, me insultando", afirma. Além dela, outras 13 pessoas foram detidas na ação. O governo do estado alega que todos os detidos participavam de grupos radicais conhecidos como “black blocks”. No entanto, a Defensoria Pública e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) apontam que não há nenhuma prova da participação deles nesses movimentos.
Outro estudante, também detido durante o conflito, afirma que foi agredido pelos policiais. Segundo ele, os agentes estavam à paisana, ou seja, sem a farda. Ele também prefere não se manifestar. “Só consegui reconhecer depois que eu fui carregado até dentro do Palácio Iguaçu passando pelo cordão de policiais que estavam em volta. Eu fui carregado pelo pescoço. Chegando lá a gente foi ofendido diversas vezes. A gente tentava o tempo todo tentar descobrir por que a gente estava sendo detido”, afirma. Ambos os estudantes denunciaram os supostos abusos ao Ministério Público.
Um vídeo feito pela Polícia Militar e divulgado pela Secretaria de Segurança Pública (Sesp) mostra os estudantes presos preparando um líquido branco. A informação das autoridades é que eles estariam fazendo uma bomba. Segundo os estudantes eles preparavam, na verdade, uma solução de antiácido, para amenizar os efeitos do spray de pimenta e do gás lacrimogêneo.
O promotor Paulo Tavares, que recebeu as denúncias dos estudantes, também não acredita na participação deles em qualquer ato de depredação ou de enfrentamento contra os policiais. “Nós não pudemos verificar que eles participaram de forma violenta. Pelo contrário, foram acuados e vítimas de uma ação policial que ultrapassou os limites da normalidade”, diz.
Em nota, o governo do estado comentou as denúncias dos estudantes. Segundo o governo, “qualquer conduta indevida dos policiais, ocorrida durante a ação no dia 29 de abril, será apurada em inquérito policial, com o acompanhamento do Ministério Público do Paraná”.


Segurança fraca

A denúncia dos estudantes enfraquece ainda mais a estrutura da Secretaria de Segurança Pública. Além do secretário de Educação, que já havia deixado o cargo após o confronto, nesta quinta-feira (7), o comandante-geral da Polícia Militar, coronel César Vinicius Kogut, entregou o cargo após uma reunião com o governador Beto Richa (PSDB). Ele alegou ter "dificuldades administrativas intransponíveis com a direção da Sesp”, comandada pelo deputado federal Fernando Francischini, que deixou o cargo legislativo para assumir a pasta.
Na quarta-feira (6), Kogut enviou ao governador uma carta em que repudiava as declarações de Francischini a respeito da ação que deixou mais de 200 feridos. O secretário disse que não havia participado do planejamento da operação, nem da execução em campo. No documento assinado pelo coronel e por outros colegas do comando da PM, Kogut garantiu que Francischini esteve nas reuniões de planejamento e era informado a todo o tempo do avanço do confronto.

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