quarta-feira, 27 de maio de 2015

Estado Islâmico paga combatentes para passar lua de mel e criar filhos.

Estado Islâmico paga combatentes para passar lua de mel e criar filhos

Combatente de 28 anos ganhou US$ 1.500 para lua de mel e nova casa.
Sua lua de mel foi em Raqqa, maior cidade síria sob controle do grupo.

 
Da AP

Foto divulgada em setembro de 2014 mostra dois membros do Estado Islâmico no rio Eufrates na cidade de Raqqa, na Síria (Foto: Militant website via AP) 
Foto divulgada em setembro de 2014 mostra dois membros do Estado Islâmico no rio Eufrates na cidade de Raqqa, na Síria (Foto: Militant website via AP)
 
O Estado Islâmico (EI) é notório pelas atrocidades que comete ao invadir territórios na Síria e no Iraque. Mas para seus apoiadores, o grupo estabeleceu um sistema generoso de bem-estar que ajuda a vida dos milhares de jihadistas, homens e mulheres, que combatem no “califado” - região que abriga os territórios que o grupo ocupou nos dois países. Além de uma contribuição mensal, os militantes recebem ajuda financeira ao se casar, para ajuda-los a começar uma família.
Para o combatente sírio Abu Bilal al-Homsi, de 28 anos, a lua de mel foi um breve momento de amor longe das linhas de front da guerra da Síria. Em Raqqa, capital do “califado” autoproclamado pelo EI, ele se encontrou pela primeira vez com sua noiva tunisiana – cujo irmão também é combatente do EI na Síria - depois de meses de conversas online.

Combatente do Estado Islâmico segura arma AK-47 ao relaxar na beira do rio Eufrates, em Raqqa (Foto: Militant website via AP)Combatente do Estado Islâmico segura arma AK-47 ao relaxar na beira do rio Eufrates, em Raqqa (Foto: Militant website via AP)

Eles se casaram, e então passaram os dias seguintes jantando em restaurantes da cidade, passeando à beira do rio Eufrates e tomando sorvetes. Foi um casamento raro entre um homem sírio e uma migrante estrangeira. Normalmente, mulheres estrangeiras se casam com combatentes estrangeiros do EI.
Mas tudo isso foi possível pelo bônus de casamento que ele recebeu do grupo. No total, ganhou US$1.500 para ele e sua mulher passarem a lua de mel, começarem uma nova casa e uma família.
Os jihadistas sunitas do EI se apresentam como herdeiros de um regime que existiu da época do profeta Maomé até um século atrás. Eles aplicam a sharia, ou lei islâmica, no território do califado.


Prioridade

Ajudar os combatentes a se casar é uma prioridade chave do Estado Islâmico. Combatentes estrangeiros recebem US$500 quando eles se casam. Al-Homsi recebeu um bônus mais alto porque sua nova esposa é médica e fala quatro línguas.
Depois da lua de mel, o casal viajou para a área de Homs, onde al-Homsi usou o dinheiro que ganhou para preparar uma casa para sua mulher e quatro gatos. O casal agora espera um novo bebê e por isso espera ganhar uma nova contribuição de dinheiro, já que o grupo pode pagar até US$ 400 para cada filho de combatente que nasce.
Al-Homsi recebe contribuição de US$ 50 por mês e sua mulher ganha uma quantidade semelhante. Ele também recebe dinheiro para comprar para seus uniformes e roupas, alguns itens de limpeza da casa e uma cesta de comida mensal com produtos equivalentes a US$65.

Jihadista do Estado Islâmico (direita) conversa com vendedor de perfume em rua da Raqqa, na Síria, em foto de setembro de 2014 (Foto: Militant website via AP) 
Jihadista do Estado Islâmico (direita) conversa com vendedor de perfume em rua da Raqqa, na Síria, em foto de setembro de 2014 (Foto: Militant website via AP)
 
“Não é apenas luta”, diz al-Homsi, que usa um nome de guerra. “Há instituições. Há civis pelos quais o EI é responsável, e amplos territórios. Ele precisa ajudar os imigrantes a se casar. Esses são componentes de um estado e ele deve cuidar de seus assuntos”. Al-Homsi falou à agência Associated Press em uma série de entrevistas por Skype, dando um olhar raro sobre a vida pessoal de um jihadista do EI.


Raqqa, 'a Nova York do califado'


“Tem tudo o que uma pessoa desejaria para um casamento”, diz al-Homsi sobre Raqqa, cidade à beira do rio que, nos 18 meses desde que foi tomada pelo EI, tem visto militantes decapitando oponentes e apedrejando adúlteros em público.
A nova elite do EI é visível em Raqqa, a maior cidade da Síria sob controle dos extremistas.
Casas e apartamentos de luxo, que antes pertenciam a funcionários do governo do presidente Bashar Assad, foram tomados pela nova classe dominante do EI, de acordo com um membro do coletivo de mídia anti-EI na cidade que atende por nome de Abu Ibrahim al-Raqqawi.
Raqqua é amortecida pelo combate travado nos seus arredores. Seus supermercados estão bem abastecidos e a cidade tem vários cafés com internet.
“A cidade está estável, tem todos os serviços e tudo que é preciso. Não é como as áreas rurais que o grupo controla”, diz al-Raqqawi. “Raqqa é agora a Nova York” do califado. Como outros do seu coletivo de mídia, ele usa um apelido por segurança e não especifica sua localização.

Imagem divulgada em abril mostra membros do Estado Islâmico pintando praça central em Raqqa, na Síria (Foto: Militant website via AP) 
Imagem divulgada em abril mostra membros do Estado Islâmico pintando praça central em Raqqa, na Síria (Foto: Militant website via AP)
 
Jihadistas do Estado Islâmico exibem suas armas e bandeiras do grupo em comboio em uma estrada de Raqqa, na Síria, que se dirige ao Iraque (Foto: Militant website via AP) 
Jihadistas do Estado Islâmico exibem suas armas e bandeiras do grupo em comboio em uma estrada de Raqqa, na Síria, que se dirige ao Iraque (Foto: Militant website via AP)

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