sábado, 4 de abril de 2015

Absorventes sustentáveis ajudam meninas africanas a ficarem na escola.

Absorventes sustentáveis ajudam meninas africanas a ficarem na escola

Uma em cada 10 meninas africanas não vai à escola durante menstruação.
Iniciativas sociais têm desenvolvido absorventes para evitar situação.

 
Da France Presse

Sue Barnes, que criou um kit de calcinhas e absorventes reutilizáveis, chamados de "Subz", fala para crianças de escola na África do Sul  (Foto: Stefan Heunis/AFP) 
Sue Barnes, que criou um kit de calcinhas e absorventes reutilizáveis, chamados de "Subz", fala para crianças de escola na África do Sul (Foto: Stefan Heunis/AFP)
 
Sue Barnes nunca teve problemas para conseguir absorventes higiênicos enquanto crescia na África do Sul. Mas nem toda garota - ela percebeu depois - tinha tanta sorte quanto ela e o simples fato de menstruar tornava suas vidas cotidianas mais difíceis.
Em 2010, Sue descobriu que garotas de famílias pobres estavam faltando na escola a cada menstruação porque não podiam comprar absorventes. "As garotas estavam perdendo uma semana de escola por mês", diz Sue, de 49 anos.
Desde então, ela começou a se dedicar à causa de que nenhuma garota sul-africana tenha que perder aulas por causa da menstruação. Sue, que antes trabalhava na indústria de roupas, desenvolveu um kit reutilizável de absorventes e calcinhas.

Alunas de escola na África do Sul recebem kits de absoerventes reutilizáveis "Subz" (Foto: Stefan Heunis/AFP) 
Alunas de escola na África do Sul recebem kits de absoerventes reutilizáveis "Subz" 
(Foto: Stefan Heunis/AFP)
 
Por US$ 16, é possível comprar um kit com três calcinhas e nove absorventes reutilizáveis. Os produtos são consideravelmente mais baratos do que os absorventes vendidos nas farmácia, pois podem ser usados durante anos.

Na África do Sul, um pacote com 10 absorventes descartáveis é vendido por US$ 1,80. É um valor muito alto para o salário de US$ 183 mensais recebido pelo trabalhador negro médio no país.
"As garotas estavam usando areia, folhas, plástico e jornal para conter o sangue", diz Sue. Agora, ela está fabricando absorventes reutilizáveis e calcinhas para distribuir em escolas de Lesotho e Swazilândia.
Os absorventes são laváveis e se encaixam nas calcinhas com clipes. Duram aproximadamente cinco anos. Sue arrecada doações por meio de sua ONG "Project Dignity" (Projeto Dignidade) e fabrica kits para serem distribuídos nas escolas. "Minha visão é que todas as meninas recebam educação. Não apenas isso, mas dar a elas dignidade e respeito próprio", diz.


Problema em toda a África

Funcionária trabalha na fabricação de absorventes em Ruanda, parte da associação Sustainable Health Enterprises (SHE)  (Foto: Stephanie Aglietti/AFP) 
Funcionária trabalha na fabricação de absorventes em Ruanda, parte da associação Sustainable Health Enterprises (SHE) (Foto: Stephanie Aglietti/AFP)
 
O problema menstrual ocorre em vários países. A Unicef estima que 1 a cada 10 meninas africanas deixa e frequentar a escola durante o período menstrual. Mas, em alguns países, como a Uganda, esse número é estimado em 60%.
Mas pessoas como Sue estão começando a fazer a diferença, liderando iniciativas pelo continente para ajudar as garotas a permanecerem na escola ao fornecer absorventes higiênicos.

A entidade African Water Facility anunciou, em fevereiro, que vai dar US$ 1 milhão para ajudar a melhorar a higiene menstrual na província de Eastern Cape, na África do Sul. O objetivo é melhorar a frequência na escola, com "atenção particular às necessidades das meninas".


Fibra do caule da banana

No Quênia, o empreendedor Barlay Paul Okari está produzindo absorventes baratos e reutilizáveis para o mercado da áfrica oriental. Em Ruanda, a ONG Sustainable Health Enterprises (SHE) está produzindo absorventes baratos com o uso da fibra do caule da banana.
O governo da Uganda, enquanto isso, ordenou que as escolas forneçam o que eles chamam de "absorventes de emergência", além de uniformes extras, calcinhas e analgésicos para as garotas menstruadas. Mas sem dinheiro para pagar pelos ítens, os administradores das escolas dizem que não podem seguir a recomendação.

Fibra do caule da banana é usada na fabricação de absorventes sustentáveis em Ruanda (Foto: Stephanie Aglietti/AFP) 
Fibra do caule da banana é usada na fabricação de absorventes sustentáveis em Ruanda 
(Foto: Stephanie Aglietti/AFP)
 
Apesar de ser a economia mais desenvolvida da África, a África do Sul ainda tem dificuldade de fornecer serviços básicos para suas escolas. Em 2011, o presidente Jacob Zuma prometeu absorventes gratuitos para mulheres de baixa renda. Mas professores na ativa dizem que o governo não cumpre a promessa.
Todo mês, a professora Florence Radebe vê várias garotas faltarem nas aulas porque estão menstruadas. É  amesma situação observada pelo professor Moses Odongo, na Uganda.
A estudante Violet Nalubyayi, de 14 anos, da Uganda, lembra de sua primeira menstruação, no ano passado, quando ela faltou da escola por cinco dias. Sem poder comprar absorventes, ela tinha medo de ser humilhada na frente de seus colegas. Usando um trapo velho para conter o sangue, ela temia que um vazamento de sangue fizesse seus colegas rirem dela.
A professora Florence Radebe ficou feliz quando soube que os kits produzidos por Sue seriam distribuídos na escola onde ela leciona. "Eles farão eu me sentir muito mais confortável, e é muito mais barato", disse Mbali Nhlapo, garota de 15 anos que recebeu um dos kits.

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