segunda-feira, 2 de março de 2015

'Minha vida mudou', diz homem que teve mãos decepadas por fazendeiro.

'Minha vida mudou', diz homem que perdeu mãos após ataque na Bahia

Pedreiro teve membros decepados por fazendeiro que o confundiu com ladrão.
Quase seis meses após o ataque, Josimar Ferreira voltou a dirigir.

 
Gabriel Gonçalves  
Do G1



Em 15 de setembro de 2014, a vida do pedreiro Josimar Ferreira de Souza, morador da cidade de Pilão Arcado, no norte da Bahia, mudou drasticamente, depois que ele teve as duas mãos decepadas, ao ser atacado por um fazendeiro que o confundiu com um ladrão. Quase seis meses após o ataque, Josimar aos poucos retoma algumas das atividades que desenvolvia, enquanto tenta se adaptar às limitações impostas por sua condição.
"Minha vida mudou completamente. Da alimentação até o uso do banheiro", afirma. "Imagine você depender dos outros para tudo: banho, alimentação, ir ao banheiro, se vestir", acrescenta Josimar que, por causa do ataque, não tem mais condições de atuar como pedreiro.
Enquanto se acostuma com a nova vida, o homem de 32 anos conseguiu voltar a realizar uma atividade trivial para muitos, mas que para ele envolveu muita vontade de superação. Após adaptar o voltante de sua caminhonete e aumentar a altura do câmbio, Josimar voltou a dirigir.

"Tive algumas dificuldades, principalmente na hora de passar as marchas, mas com o tempo a gente vai pegando. Por enquanto faço somente pequenas viagens", afirma.
Ele conta que no momento está desempregado, e que a esposa é quem está sustentando a casa, onde mora com o filho de 3 anos e os outras três crianças que a mulher teve em um casamento anterior. "Ela faz salgados e vende aqui em casa mesmo", explica Josimar, que espera poder voltar a trabalhar.
"Eu penso em fazer alguma coisa mas, para isso, preciso de duas próteses, para aumentar as minhas possibilidades, além de ganhar mais qualidade de vida", diz.
Mesmo tendo sido vítima de um crime desta gravidade, Josimar admite que não tem muito o que falar sobre o ataque. "Não lembro de quase nada. Eu me lembro do momento que saí de casa até chegar ao local. Depois que começou o ataque, não me lembro de nada" diz.
À medida que vai ganhando confiança e se adaptando à sua condição, Josimar vai fazendo planos. "Quero encontrar um rumo na vida. Nasci e me criei na luta, trabalhando, e hoje não consigo fazer nada. Quero trabalhar, fazer alguma coisa", destaca.
De acordo com o delegado titular da delegacia de Pilão Arcado, Arnóbio Dionísio Soares, o fazendeiro suspeito de atacar Josimar segue em prisão preventiva e deve ter julgamento marcado ainda para este mês de março.
Caso

Josimar teve as duas mãos decepadas após ser acusado de roubo por um criador de bode, na cidade de Pilão Arcado, localizada a cerca de 800 km de Salvador. Ele foi levado para o hospital e recebeu alta quatro dias depois.
O pedreiro negou o roubo e afirmou que estava no local procurando restos de fezes de animais, para usar como fertilizante na produção de verduras.
À época do crime, o delegado disse que o suspeito de atacar Josimar não apresentou "qualquer comprovação, justificativa ou sequer ocorrência" que ateste que a vítima tenha roubado cabras e ovelhas da sua fazenda.
"Não há provas contudentes, porque mesmo que houvesse o roubo, não poderia haver uma atitude de também hediondez.  A gente já autuou o autor [do crime] por tentativa de homicídio qualificado pelo motivo fútil, impossibilitado de defesa para a vítima e crueldade", afirmou Arnóbio Soares.

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