sábado, 24 de janeiro de 2015

Situação da Santa Casa de Formiga, MG, é crítica.

Situação da Santa Casa de Formiga é crítica

Único hospital público da cidade deve cerca de R$ 16 milhões.
Interventores e governo municipal buscam alternativas.

 
Do G1

Santa Casa de Formiga enfrenta dificuldades financeiras (Foto: TV Integração/Reprodução)Santa Casa de Formiga enfrenta dificuldades
financeiras (Foto: TV Integração/Reprodução)

A crise na Santa Casa preocupa funcionários e pacientes em  Formiga. A instituição deve uma fortuna e não consegue arrecadar mais do que gasta. A cidade tem quase 70 mil habitantes e um hospital que pode fechar as portas a qualquer momento.
A Santa Casa de Formiga deve, atualmente, cerca de R$ 16 milhões, em dívidas acumuladas ao longo de 30 anos com fornecedores, em empréstimos bancários e passivos trabalhistas. Este levantamento é da equipe de interventores que atualmente analisa as contas do hospital, após o afastamento do último provedor da entidade, no fim do ano passado.
"O endividamento de 2012 era de R$ 3 milhões e subiu para cerca de R$ 7 milhões em 2013. Depois, para aproximadamente 12 milhões em 2014. Esses são endividamentos bancários", disse o interventor Sidney Ferreira.
Para fazer o pagamento das prestações da dívida, necessidades básicas do hospital ficam comprometidas. Como, por exemplo, a rouparia. Faltam lençóis.
As roupas usadas pelos médicos, quando não estão rasgadas, já foram costuradas muitas vezes. Peças usadas no bloco cirúrgico não são suficientes.
"Esse material tem faltado, às vezes, nas cirurgias. Temos que esperar um pouco porque estão sendo lavados e esterelizados. Não se tem um volume suficiente para se fazer um rodízio entre as cirurgias", comentou o cirurgião plástico Antônio Claret Rodrigues da Costa.
A situação da UTI Neo Natal é ainda mais grave. Todos os médicos que trabalham no local estão há quase três meses sem receber os salários.
"A gente ainda não recebeu novembro, nem dezembro e janeiro já está no fim. Todos os médicos da UTI são especialistas, intensividas, e não fazem consultório. Só trabalham em plantão, normalmente em terapia intensiva. Dependem desse pagamento. Todos são de fora e dependem do dinheiro para vir a Formiga trabalhar. Acaba se tornando insustentável", explicou a coordenadora da UTI Neo Natal, Giselle Lima Barbosa Cuconato.
Os fisioterapeutas estão na mesma situação. "No nosso caso, da UTI Neo, o único lugar de trabalho nosso é aqui.  A gente não tem consultório ou clínica onde possamos tirar uma renda secundária. Aí, fica difícil", disse o profissional Fabiano Leandro Noronha de Castro.
Para agravar ainda mais a situação, os interventores alegam que não sabem ainda a real situação do fluxo de caixa da Santa Casa. O certo é que os repasses da Prefeitura e do Estado não estão em dia.
"A prefeitura tem um débito com a Santa Casa de aproximadamente R$ 700 mil reais a repassar. O Estado tem repasse em torno de R$ 2,5 milhões, que já deveriam ter sido depositados. Até o momento, não temos uma previsão desses pagamentos", acrescentou Sidney Ferreira.

Roupas de funcionários apresentam rasgos (Foto: TV Integração/Reprodução)Roupas de funcionários apresentam rasgos
(Foto: TV Integração/Reprodução)

"Se nós não conseguirmos liquidar essas dívidas, ou aproximar da liquidação, nós comprometeremos quase 54 cidades", disse o interventor José Geraldo Cunha.
O prefeito de Formiga, Moacir Ribeiro, está ciente dos problemas e se reuniu com os interventores. "Nós estamos repassando todos os convênios. E tudo aquilo que possamos repassar será repassado, para que a Santa Casa saia um pouco do sufoco em que ela está", disse.
Os problemas da saúde em Formiga não são exclusivos da Santa Casa na cidade. Moradores de vários bairros reclamam do atendimento nos postos de saúde.
"São mais ou menos 20 e poucas fichas. É preciso madrugar na fila para conseguir uma vaga e são poucas fichas de urgência", disse a costureira Patrícia Paula de Oliveira.
"Ultimamente, não tem havido médico. Agora, neste início de ano, devido às dívidas do hospital, a gente ñao sabe o dia em que o médico atenderá as crianças", afirmou o vendedor Rogério de Paula Figueiredo.
Sobre os postos de saúde, o prefeito informou que na cidade são quase 20 unidades e que todas possuem médicos, enfermeiros e auxiliares. Disse ainda que não há registros de problemas no atendimento.
Já sobre o repasse de verba, a Secretária de Estado de Saúde, informou que não há nenhum atraso. Explicou que apenas a parcela de janeiro referente ao programa Rede Resposta está dependendo da abertura do sistema para pagamento.

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