segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Repúblicas de Ouro Preto se preparam para enfrentar crise da água.

Repúblicas de Ouro Preto se preparam para enfrentar crise da água

Reservatórios e temporizadores são algumas das medidas adotadas.
Casarões devem receber milhares de turistas durante o carnaval deste ano.

 
Thais Pimentel  
Do G1 

Ladeiras de Ouro Preto são tomadas por turistas de todo o Brasil (Foto: Raquel Freitas/G1) 
Mais de 70 mil pessoas devem passar o carnaval deste ano em Ouro Preto 
(Foto: Raquel Freitas/G1)


As repúblicas estudantis de Ouro Preto, na Região Central de Minas Gerais, famosas por receberem turistas de todo o Brasil, já se preparam para enfrentar a crise de abastecimento de água da cidade durante o carnaval, época em que a população passa de 70 mil pessoas para 140 mil.
O município, Patrimônio Mundial da Humanidade, adotou o sistema de rodízio há uma semana, por causa da queda nos níveis dos reservatórios da região. Atualmente a vazão é de 74 litros por segundo, sendo que o normal para esta época do ano é 90 litros por segundo.
Diferente de muitas cidades mineiras, os imóveis de Ouro Preto não possuem hidrômetros, aparelhos que medem o consumo de água. Os moradores pagam apenas uma taxa fixa de R$ 12 por mês. Por isso, segundo o Serviço de Água e Esgoto (Semae) da cidade, a conscientização na economia da água deve ser ainda maior.

Chuveiros da República Confraria possuem temporizadores para controle do banho de moradores e foliões (Foto: Paulo Carvalho/Arquivo pessoal)Chuveiros da República Confraria possuem
temporizadores para controle do banho de
moradores e foliões
(Foto: Paulo Carvalho/Arquivo pessoal)

A república Confraria optou por trocar as descargas antigas por modelos com caixas acopladas, mais econômicas que os aparelhos instalados na parede.
"Nós também instalamos temporizadores nos chuveiros da casa. A gente pode regular entre 5 e 15 minutos, mas vamos pedir pros turistas colaborarem. Nada de gastar água. As meninas também vão ter que maneirar com o secador", alertou Johnny Stephens Reis Pimenta, um dos moradores da república e responsável pelas reservas do carnaval. Dez pessoas moram na casa. A expectativa é que 35 foliões se hospedem no casarão histórico.
Os estudantes também têm cinco reservatórios de água. Segundo Johnny, dois deles foram comprados recentemente para que não haja risco de faltar água.
Outra preocupação é a conta de luz. "Normalmente a gente gasta entre R$ 250 e R$ 300 por mês. Quando tem carnaval, esse custo dobra", disse Johnny.
Na república Canaan, os estudantes também estão se prevenindo. Eles contam com uma cisterna e duas caixas d'água. "Pelo menos 120 pessoas devem passar por aqui durante o carnaval. O jeito vai ser bater na porta do banheiro pro pessoal maneirar no banho", conta um dos dez moradores da casa que prefere ser chamado pelo apelido de "Matusalém".
Na república Pureza, cartilhas com dicas de economia de água e energia elétrica estão sendo preparadas. "A ideia é distribuir para os turistas. A gente tem reservatório com capacidade de 10 mil litros e já começamos a encher", explica André Rodrigues, um dos estudantes que vivem na casa. Os moradores são parceiros da república Vaticano, que também está preocupada com a questão da água. Cerca de 180 pessoas devem passar pelas duas casas durante o carnaval. 

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