sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Uso contínuo de aspirina é prejudicial para mulheres abaixo de 65 anos, diz estudo.

Uso contínuo de aspirina é prejudicial para mulheres abaixo de 65 anos, diz estudo

Riscos do uso prolongado do medicamento, como o sangramento gastrointestinal, são maiores do que seus benefícios, como a prevenção do câncer

Aspirina
Aspirina: dois terços das voluntárias de 45 a 65 anos que tomaram o medicamento tiveram sangramento gastrointestinal (Thinkstock/VEJA) 

 
Mulheres com menos de 65 anos não devem tomar aspirina continuamente como uma medida para prevenir câncer, derrame e doenças cardíacas. O sangramento intestinal, um efeito adverso do medicamento, não compensa os benefícios do comprimido. Essas são as constatações de uma ampla pesquisa feita por estudiosos da Faculdade de Medicina da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, publicada na quinta-feira no periódico Heart.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Individualised prediction of alternate-day aspirin treatment effects on the combined risk of cancer, cardiovascular disease and gastrointestinal bleeding in healthy women

Onde foi divulgada: periódico Heart

Quem fez: Rob C M van Kruijsdijk, Frank L J Visseren, Paul M Ridker, Johannes A N Dorresteijn, Julie E Buring, Yolanda van der Graaf e Nancy R Cook

Instituição: University Medical Centre Utrecht, na Holanda, e Faculdade de Medicina da Universidade Harvard, nos Estados Unidos.

Resultado: O uso contínuo da aspirina por mulheres abaixo dos 65 anos não é benéfico para a prevenção de doenças cardiovasculares e do câncer por aumentar os riscos de sangramento gastrointestinal.
 
 
A pesquisa avaliou quase 28.000 mulheres saudáveis de 45 anos ou mais. As participantes foram divididas em dois grupos. Um tomou 100 miligramas de aspirina e o outro recebeu um placebo do medicamento. Ambos ingeriram o remédio dia sim, dia não.
Ao longo de 10 anos, 604 mulheres tiveram alguma doença cardiovascular e 2.000 desenvolveram algum tipo de câncer. Além disso, 302 apresentaram sangramento gastrointestinal e tiveram que se submeter a tratamento hospitalar. Após o final da pesquisa, os estudiosos acompanharam as participantes por mais 7 anos e registraram outros 1.495 casos de câncer.


Resultados

Em mulheres com mais de 65 anos, a aspirina reduziu a incidência de derrame, doenças cardiovasculares e câncer no intestino. Para elas, as vantagens do uso contínuo do medicamento compensam os malefícios, concluiu a pesquisa.
Para mulheres com menos de 65 anos e sem doença cardiovascular, no entanto, os benefícios promovidos pela aspirina não compensaram seus efeitos adversos, como o sangramento gastrointestinal — dois terços das voluntárias de 45 a 65 anos sofreram o problema, que se manifesta em sintomas como vômitos e fezes com sangue e perda de sangue pelo reto.
"Diante dos resultados, o que aconselhamos é que, antes de a mulher começar o tratamento, ela discuta os prós e os contras da aspirina com o seu médico", disse ao site de VEJA Rob van Kruijsdijk, coautor do estudo e professor da University Medical Centre Utrecht, na Holanda.
Diversos estudos que constataram que a aspirina previne o risco de metástases e câncer de pele, por exemplo, trouxeram para debate a eficácia do uso do medicamento como tratamento primário. Os pesquisadores afirmam, no entanto, que fazer a prevenção de doenças cardiovasculares, câncer e sangramento gastrointestinal com a aspirina é ineficaz para a maior parte das pacientes.

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