terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Setor pirotécnico finaliza ano com queda de 20% nas vendas em Santo Antônio do Monte, MG.

Setor pirotécnico finaliza ano com queda de 20% nas vendas em MG

Ano para o setor em Santo Antônio do Monte foi difícil, afirma sindicato.
Copa, acidentes e mortes foram fatores que contribuíram para o recuo.

 
Do G1

Explosivos são fabricados por trabalhadores (Foto: Anna Lúcia Silva/G1)Explosivos são fabricados por trabalhadores
(Foto: Anna Lúcia Silva/G1)

O ano de 2014 para o setor pirotécnico em Santo Antônio do Monte não foi nada fácil, como pontua o Sindicato das Indústrias de Explosivos no Estado de Minas Gerais (Sindiemg). Entre mortes, acidentes e uma produção retida da Copa do Mundo, as atividades encerram o ano com queda de 20%.
Fogos de artifício e artigos pirotécnicos são sempre usados para comemorações em geral e a melhor época para vender os itens é no Réveillon. Contudo, as surpresas não foram agradáveis para o setor, que ainda assim investiu na criatividade, como o empresário Arailtom Rodrigues, que  lançou uma novidade para tentar impulsionar as vendas, mas teve frustações. O novo item que agora integra o show room de novidades dentro da fábrica, é um show de luzes que dura aproximadamente três minutos e que foi vendido a baixo custo, nem assim ele conseguiu mudar a situação que desde a Copa tem se agravado.
"Produzimos muito para a Copa e tivemos a decepção de ver o Brasil perder, o que resultou na mercadoria retida para essa época. Com a mercadoria retida, o mercado que não quis adquirir novos produtos, nem os recém lançados. Podemos afirmar sem dúvidas que tivemos uma queda superior a 20%", afirmou.

Alguns fogos são analisados na área externa  (Foto: Reprodução/Tv Integração)Fogos são analisados na área externa
(Foto: Reprodução/Tv Integração)

Mesmo com queda, Arailtom não dispensa o otimismo para o próximo ano e diz que irá investir logo no início para tentar reaver o que não foi vendido em 2014, mas ressalta que haverá cautela no investimento. "Estamos vivendo um momento atípico no país todo, com muitos escândalos. Então ninguém sabe como será no ano que vem. Sabemos que algo será feito, algo vai mudar, portanto não podemos investir demais para não termos surpresas como essas de 2014", contou.
Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Fábricas de Fogos de Artifício (Sindfogos), Antônio Camargos, as mortes e acidentes no setor deixaram marcas difíceis de se apagar  e também contribuíram para o recuo significativo. "A gente espera que nesse próximo ano possa haver uma evolução. Temos negociações para melhorar os salários dos funcionários. Precisamos agora esquecer o passado, mesmo que seja difícil e buscar mais segurança para os  trabalhadores, para mantermos a mão de obra e o setor em atividade", ressaltou.
Welliton Aparecido Morato, também é empresário e compartilha da opinião de Arailtom, quando ele afirma que houve redução de 20%. "Não foi o que todo mundo esperava. Não teve vendas e não sei como vamos fazer com o comércio. Agora é torcer para  que 2015 seja melhor", disse.
Ele investiu em algumas novidades, mas não teve sucesso e agora, segundo ele ocorrerá o que nunca houve em 20 anos de atuação no mercado. “Vou começar o ano de 2015 com o estoque cheio. Isso nunca ocorreu, finalizava os anos sem mercadoria nenhuma, e agora finalizo o ano com o estoque lotado”, contou.


Polo Pirotécnico

Santo Antônio do Monte tem uma população estimada, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 27.352 habitantes. A principal fonte de renda do município sai do setor de pirotecnia. A cidade também conta com um local próprio para a verificação da qualidade e a segurança dos fogos.
Conforme informações do gerente do Sindiemg, Américo Libério, a região Centro-Oeste mineira abriga 79 empresas nas cidades de Luz, Lagoa da Prata, Pedra do Indaiá, Japaraíba, Moema, Arcos e Santo Antônio do Monte. E apenas em Santo Antônio do Monte são 47 empresas que empregam mais de três mil funcionários diretamente e outros 12 mil indiretamente. "É uma atividade centenária na cidade que emprega pessoas de várias partes do país. Galpões tomam conta de boa parte do município e eles também estão na zona rural", comentou Américo.


Líder na América Latina

O município lidera a economia na produção pirotécnica na América Latina e é responsável por mais de 90% da produção dos fogos de artifício do Brasil. Além de abrigar o único centro tecnológico em pirotecnia da América Latina, a cidade realiza a verificação da qualidade e a segurança dos fogos.
Galpões tomam conta de boa parte da cidade e eles também estão na zona rural. "É uma atividade antiga na cidade e que exige muitos cuidados, inclusive durante a fabricação. Para evitar o risco de curto-circuito, os funcionários contam apenas com a luz natural. Em alguns setores, o chão é coberto de água para não haver o atrito da pólvora com o piso ou com calçados. Tudo muito artesanal", comentou Libério.

 
Fofos Santo Antônio do Monte (Foto: Reprodução/TV Integração) 
Testes de fogos são realizados antes de serem comercializados em Santo Antônio do Monte 
(Foto: Reprodução/TV Integração)

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