segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Pais de quadrigêmeas lutam para construir casa para família em Santo Antônio do Monte, MG.

Pais de quadrigêmeas lutam para construir casa para família em MG

Moradores de Santo Antônio do Monte colaboram e rifa é vendida.
Prefeitura do município ajudou com doação de um lote.

Anna Lúcia Silva 
Do G1

Quadrigêmeas completaram dois anos em Santo Antônio do Monte (Foto: Glaydston de Jesus/Arquivo Pessoal)Quadrigêmeas completaram dois anos
(Foto: Glaydston de Jesus/Arquivo Pessoal)

Há pouco mais de um ano a vida de um jovem casal de Santo Antônio do Monte foi transformada com o nascimento de quadrigêmeas. Desde que as filhas nasceram, a dona de casa Rosane Ribeiro de Jesus, de 22 anos, e o operário Gleydston Luiz de Jesus, de 27 anos, têm batalhado para conseguir criar as meninas e agora eles estão em busca da realização de um sonho em 2015: construir a própria casa. Para isso, eles têm contado com a ajuda dos moradores e da Prefeitura do município que já doou o lote.
A solidariedade dos vizinhos, pessoas mais próximas e até mesmo de desconhecidos têm tornado gratificante a luta do casal. Eles sempre receberam doação de leite, fraldas, cestas básicas e agora, várias pessoas já doaram materiais para que as obras de construção da casa tenham início em 2015. 
Ainda como forma de acelerar o processo, o casal tem vendido bilhetes para rifar um celular. “Estamos recebendo muita ajuda das pessoas e isso tem sido maravilhoso, pois o salário do meu marido não é suficiente para todos nós. A rifa foi uma ideia para conseguirmos o dinheiro para pagar a mão de obra. Até o início do ano pretendemos começar a parte do alicerce da casa”, contou.
O cunhado de Rosane, o vendedor Rafael Fernandes Pinto, sempre ajuda com o que pode. Ele trabalha em um depósito de matérias de construção e quando tem oportunidade pede aos amigos mais íntimos colaboração. “Sempre peço para as pessoas que conheço poderem ajudar, pois só a gente que está perto sabe a dificuldade que essa família enfrenta. Eles são carentes e com quatro filhas não é fácil mesmo”, disse.
As lutas não deixam desaparecer o orgulho do pai, Gleydston, que sempre comemora a chegada das filhas. "Nossas quatro filhas são um verdadeiro milagre de Deus. Hoje sou a pessoa mais feliz do mundo com essas bênçãos em minha vida, que me dão força para seguir em frente", ressaltou.

Casal na maternidade (Foto: Gleydston Jesus /Arquivo Pessoal)Casal na maternidade após o parto
(Foto: Gleydston Jesus /Arquivo Pessoal)

Gleydston contou que uma lista de materiais de construção tem circulado na cidade e que tem contado com o apoio de quem puder ajudar. "A gente sabe que construir uma casa hoje em dia não é fácil, está tudo muito caro e por isso estamos indo devagar, mas com a ajuda que estamos recebendo e ainda vamos receber, vai dar tudo certo", afirmou.
A intenção da família é sair do aluguel até o meio do ano que vem. Atualmente eles pagam por onde moram mais de um salário mínimo. " Queremos sair do aluguel logo e poder destinar esse dinheiro a criação das minhas filhas. Nosso sonho vai se realizar em 2015, se Deus quiser", enfatizou.


Parto antecipado

As crianças que por diversas vezes, segundo a mãe, corriam risco e poderiam não nascer, hoje esbanjam saúde e enchem os pais de felicidade. Gleydston lembra que, quando descobriram a gravidez, o casal foi informado da gravidade e do risco da gestação. Todo o processo, segundo ele, foi de muita apreensão e surpresas. "Já tínhamos preparado a gravidez, mas não esperávamos quatro, ficamos apreensivos algumas vezes", disse.
Rosane engordou 25 quilos quando ficou grávida, o que dificultava no dia a dia, e por isso levou a gestação até onde suportou. "O espaço estava apertado e, para não comprometer a saúde da minha mulher ou das crianças, resolvemos fazer o parto, aos sete meses, de acordo com orientações do médico", disse.

Rotina

A rotina do casal nunca mais foi a mesma depois do nascimento das filhas. Eles fizeram as contas e afirmam que durante alguns meses chegaram a fazer cerca de 32 trocas de fraldas por dia, além de 32 mamadeiras para as meninas, que se alimentam até hoje, de um leite especial, que proporciona ganho de peso.
O dia é sempre corrido e cheio de tarefas, mas para Rosane a manhã é a parte do dia mais trabalhosa. A mãe acorda às 6h e, segundo ela, todas as meninas já estão em alerta esperando a mamadeira neste horário. "Eu logo preparo as quatro mamadeiras, retiro as crianças do berço, coloco elas em um colchão na sala, onde ficam todas juntas e em seguida dou a mamadeira para cada uma. E elas seguram as mamadeiras e vou trocando as fraldas delas", relatou.
Durante a troca de fraldas, as quatro, que já se relacionam muito bem, brincam e assistem desenhos. "Coloco desenhos para ver se chama a atenção, e aí eu tento dar uma organizada na casa, pego os brinquedos do chão, coloco roupas para lavar", contou.
Como acordam muito cedo, as quadrigêmeas voltam a dormir por volta das 8h e esse "soninho" dura geralmente três horas. É quando Rosane começa a preparar o almoço para as meninas e para o marido, que precisa ficar pronto até as 11h. "Elas começam a acordar e eu já vou posicionando todas na cozinha, sentadas no bebê conforto. Como elas não esperam e ficam disputando a papinha, faço apenas um prato com uma colher e vou alimentando todas", disse.

Este será o primeiro dia das mães de Rosane com as quadrigêmeas em Santo Antônio do Monte (Foto: Ademar de Oliveira/Gazeta Montense) 
Rosane com as quadrigêmeas em Santo Antônio do Monte 
(Foto: Ademar de Oliveira/Gazeta Montense)

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