sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Medina varre havaiano, tira Slater da briga pelo título e avança à quarta fase.

Medina varre havaiano, tira Slater da briga pelo título e avança à quarta fase

Brasileiro brilha para bater Dusty Payne e deixar mito americano fora da luta pelo título mundial. Só o australiano Mick Fanning, que também avançou, está na briga com ele


Por
Direto de Oahu, Havaí

Com a mãe, os irmãos e o padrasto na areia, além de outros brasileiros que transformaram a praia de Pipeline nesta sexta-feira em um "Maracanã do surfe", Gabriel Medina deu mais um importante passo rumo ao inédito título mundial. Em uma pedreira na terceira fase do Pipe Masters, última e decisiva etapa do WCT, o jovem de 20 anos derrotou o havaiano Dusty Payne por 17,66 a 11,84 e avançou na disputa que pode consagrá-lo na história da modalidade no país. Com a vitória, tirou de seu caminho o americano Kelly Slater, que lutava pelo 12º troféu na praia em que ele já venceu sete vezes. Medina havia entrado apenas uma vez na água para competir, há uma semana. Precisou lidar com a pressão e a ansiedade nos seguidos dias de adiamento, isolado na casa que divide com seu principal rival, Mick Fanning, em uma espécie de "prisão" imposta pelo padrasto Charles Saldanha. Tudo para que ele não perdesse o foco na batalha mais importante de sua vida.

Medina comemora (Foto: Pedro Gomes / divulgação)Medina comemora ao completar sua segunda onda de 8,33 (Foto: Pedro Gomes / divulgação)

- Eu sabia que ele era um cara difícil de bater. Só estava focado em mim, só queria surfar, fazer o meu trabalho. Ainda não acabou, ainda tenho que passar por algumas baterias. Estou me sentindo muito bem, meu corpo está se sentindo bem. Achei duas ondas muito boas. Quero apenas surfar. A torcida foi incrível. Nunca pensei que teria tantas pessoas torcendo por mim, especialmente aqui no Havaí. Sou grato por todo o apoio. Realmente me ajudou. Espero seguir em frente - disse Medina.

E por pouco o título mundial não ficou nas mãos de Medina já na terceira rodada. O australiano Mick Fanning, único rival no páreo com a "saída" de Slater, demorou para se encontrar na bateria contra o francês Jeremy Flores. Apenas faltando pouco mais de três minutos, Fanning achou um tubo para conseguir a virada e vencer por 10,84 a 7,67.



As baterias

A bateria de 30 minutos começou com Medina esperando uma boa onda, e Payne já dropando logo uma das primeiras que apareceram. Grande conhecedor das ondas de Pipeline, o havaiano pegou um tubo logo de cara, mas tirou uma nota regular: 4,67. Nada que assustasse. Concentrado, o líder do ranking mundial esperou sete minutos até pegar sua primeira onda. E para alegria dos fãs brasileiros, o jovem encontrou um belo tubo, no qual ficou escondido, percorreu um bom caminho e saiu ciente de que havia conseguido somar um nota importante. Os juízes demoraram para digitar a média, mas lá estava: 8,83. Empolgado, o paulista não demorou muito para se jogar em mais um tubo e assegurar uma boa nota de "backup": 5,83.

Gabriel Medina, Surfe, Pipeline (Foto: Márcio Fernandes / Ag. Estado) 
Gabriel Medina pega tubos em Pipeline (Foto: Márcio Fernandes / Ag. Estado)
 
 
Medina entrou na segunda metade da bateria liderando por 14,66 a 6,50, teoricamente uma vantagem confortável, já que Payne precisava de um 9,99 para roubar a liderança. Mas não se pode duvidar do atual líder da Tríplice Coroa Havaiana. Ciente disso, o grande nome do surfe brasileiro tratou de fazer uma boa marcação em cima do gringo. E, ao mesmo tempo, se posicionava para achar uma onda que o permitisse trocar a sua segunda pior nota até então: o 5,83. Esperto, Payne conseguiu aproveitar uma chance e engatou uma esquerda que o permitiu tirar 7,17 - melhor nota dele até então. Com essa nova média, a vantagem de Medina caiu, e o havaiano passou a precisar de um 7,50 para assumir a ponta, faltando pouco mais de oito minutos de ação.

A reta final da bateria, como costuma ser em grandes disputas, foi cercada de tensão. Gabriel sabia que Dusty poderia a qualquer momento conseguir a nota que lhe daria o triunfo. Ao mesmo tempo, o jovem fenômeno brasileiro tinha noção de que era necessário ele tentar conseguir mais uma nota alta para não dar sopa para o azar. E foi a hora de Medina demonstrar que ele não é o favorito ao título mundial à toa. Medina conseguiu um belo tubo para backdoor e saiu com as mãos erguidas para o alto. Veio um notão, mais um 8,83 e a soma de 17,66. A vitória do brasileiro era questão de minutos, dois minutos. Não havia tempo para Payne. Deu Gabriel Medina, eliminando Slater da briga pelo título mundial. Agora, é entre o paulista e Mick Fanning.
Na oitava bateria da terceira fase em Pipeline, Mick Fanning, número 2 do mundo, entrou como favorito contra o francês Jeremy Flores, atualmente o 33º do ranking do WCT. Porém, o europeu não é um surfista qualquer. Ele já foi campeão da etapa havaiana em 2010 e conhece muito os caminhos para triunfar na famosa onda. Querendo mais um grande resultado e alheio à briga pelo título mundial, Flores tratou de sair pegando ondas. Ele não conseguiu nenhuma grande soma e ultrapassou a primeira metade da bateria com apenas 4,77 pontos. Porém, Fanning não havia pegado sequer uma onda, contra cinco de Flores.
Na segunda metade da bateria, a ansiedade já tomava conta de todos, principalmente de Fanning dentro da água e de Medina na areia. A decisão do título mundial poderia acontecer em 15 minutos. O australiano finalmente pegou sua primeira onda, mas não foi o suficiente. Porém, deixou claro o motivo de ser um dos grandes nomes do surfe em todos os tempos. Faltando pouco mais de três minutos, encontrou um belo tubo e somou 8,17, finalmente assumindo a ponta da bateria. O francês, agora, precisava de um 6,85. Mas ele não tinha mais tempo. Vitória de Fanning, e a briga pelo título mundial contra Medina seguiria ao menos por mais duas fases.

Mick Fanning (Foto: Pedro Gomes / divulgação) 
Mick Fanning vira o placar nos minutos finais da bateria (Foto: Pedro Gomes / divulgação)


Antes da bateria de Medina, três outros brasileiros já haviam caído na água nesta sexta-feira. Número 20 do ranking, o potiguar Jadson André foi eliminado pelo australiano Josh Kerr (11º) por 10,50 a 7,87 para avançar à quarta fase. Já no duelo 100% brasileiro entre os paulistas Miguel Pupo (15º) e Filipe Toledo (16º), quem se deu melhor foi o segundo, que venceu por 12,17 a 5,17. E na última bateria da terceira rodada, Alejo Muniz surfou muito e eliminou a lenda Kelly Slater.

baterias da terceira fase
1.John John Florence (HAV) 16,33 x Adam Melling (AUS) 12,16
2. Owen Wright (AUS) 12,20 x Fred Patacchia (HAV) 11,17
3. Michel Bourez (TAH) 9,67 x Matt Wilkinson (AUS) 7,00
4. Josh Kerr (AUS) 10,50 x Jadson André (BRA) 7,87
5. Miguel Pupo (BRA) 5,17 x Filipe Toledo (BRA) 12,17
6. Gabriel Medina (BRA) 17,66 x Dusty Payne (HAV) 11,84
7. Kolohe Andino (EUA) 1,40 x Julian Wilson (AUS) 9,40
8. Bede Durbidge (AUS) 1,33 x Adrian Buchan (AUS) 11,53
9. Mick Fanning (AUS) 10,84 x Jeremy Flores (FRA) 7,67
10. Joel Parkinson (AUS) x Sebastien Zietz (HAV)
11. Nat Young (EUA) x Kai Otton (AUS)
12. Kelly Slater (EUA) x Alejo Muniz (BRA)

baterias da quarta fase
1. John John Florence (HAV) x Owen Wright (AUS) x Michel Bourez (TAH)
2. Josh Kerr (AUS) x Filipe Toledo (BRA) x Gabriel Medina (BRA)
3. Julian Wilson (AUS) x Adrian Buchan (AUS) x Mick Fanning (AUS)
4. Sebastien Zietz (HAV) x Kai Otton (AUS) x Alejo Muniz (BRA)

O que Medina precisa fazer para ser campeão

- se for eliminado na quinta fase => Mick Fanning não pode chegar à final;
- se for eliminado nas quartas ou nas semifinais => Mick Fanning não pode vencer a etapa;
- se chegar à final => conquista o título, independentemente da campanha de seus rivais.

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