quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Homem é preso suspeito de decapitar 5 com machado em SP.

Família de suspeito por decapitações deixa casa em Mogi, dizem vizinhos

Por medo, pai, mãe e irmão preferiram ir para a casa de parentes.
Mãe chegou a ver um dos corpos decapitados quando ia ao trabalho.

Jamile Santana 
Do G1
 
Família de suspeito de matar seis pessoas em Mogi das Cruzes e Poá, deixou a casa com medo de represálias (Foto: Jamile Santana/G1) 
Família de suspeito de matar seis pessoas em Mogi das Cruzes e Poá, deixou a casa com medo de represálias (Foto: Jamile Santana/G1)

Suspeito confessou seis assassinatos, diz polícia de Mogi. (Foto: Jenifer Carpani/G1)Suspeito confessou seis assassinatos, diz polícia
de Mogi. (Foto: Jenifer Carpani/G1)

Com medo de ataques, a família de Jhonatan Lopes de Santana, suspeito de ter matado seis pessoas e ferido gravemente outra, deixou a residência, em Mogi das Cruzes, segundo vizinhos. De acordo com a polícia, ele confessou ter decapitado cinco pessoas e esfaqueado e queimado outras duas. O ajudante geral, de 23 anos, foi preso nesta quartas-feira.
Segundo os vizinhos do suspeito, pai, mãe e irmão com quem ele morava deixaram a residência no começo da tarde, muito abalados, e foram para a casa de parentes. “Nós orientamos que eles não ficassem aqui, porque desde que todo mundo ficou sabendo destes casos, não para de passar gente curiosa aqui na rua. Os pais do Jhonatan são ótimas pessoas e ficamos com medo de que eles sejam vítimas de ataques por causa do que o filho fez”, contou a vizinha que mora na casa ao lado a do suspeito, Patrícia Schulz.
A vizinha ficou responsável por cuidar do  cachorro de estimação do suspeito, uma poodle chamada Maruska. “A mãe dele me pediu para que eu cuidasse, e como eles sempre foram ótimos vizinhos, não neguei ajuda. Não para ela, uma mãe que está sofrendo o que mãe nenhuma no mundo merece sofrer”, disse.
Ainda de acordo com a vizinha da família, a mãe do suspeito tem pouco mais de 50 anos e chegou a ver o corpo de uma das vítimas. “Ela trabalha em uma creche e me contou que saiu de casa bem cedo e pegou o ônibus porque o Jhonatan não estava com o carro em casa para levá-la. No Mogilar, ela viu o corpo do morador de rua decapitado. Ela passou muito mal, foi para o hospital e nem chegou a ir trabalhar. Quando chegou em casa, a polícia chegou em seguida e ai ela voltou a passar muito mal quando soubesse quem tinha feito aquilo, foi o filho dela”, contou a vizinha.
Outra moradora da rua, que pediu para não ter o nome revelado, disse que a mãe não parava de chorar e que o pai e o irmão mais velho, também estavam em estado de choque. “Quando ela soube que eram várias vítimas,  teve que ser levada para o hospital. Depois de um tempo, ela já não falava coisa com coisa”, contou.
O G1 tenta localizar o advogado do suspeito.

Homem tinha feito machadinha no próprio corpo,
segundo a polícia. (Foto: Divulgação/Polícia Civil)
Homem tinha feito machadinha no próprio corpo, segundo a polícia. (Foto: Divulgação/Polícia Civil)O caso

A Polícia Militar prendeu o ajudante geral depois que três pessoas foram encontradas decapitadas em Mogi das Cruzes na manhã desta quarta. Há ainda outra mulher que foi decapitada em Poá na noite de terça. Na segunda-feira, dois moradores de rua foram atacados também em Mogi. Um morreu e outro está internado no Hospital Luzia de Pinho Melo.
Após ser preso, o homem também confessou que decapitou uma mulher em um local conhecido como "Favela do Gica", no distrito de Brás Cubas.
"São sete vítimas, seis morreram. O primeiro caso foi no sábado. Vamos trabalhar para ver se não há outras vítimas", disse o delegado Marcos Batalha.
Ainda de acordo com as informações passadas pelo delegado nesta quarta, o homem tem sinais no corpo relacionados aos crimes. "Logo que ele foi preso, em sua residência, ele apresentava dois sinais feitos por ele próprio no corpo: o desenho de um machado no braço, próximo ao ombro, e um na perna feito com uso de uma agulha, com o número 36". Segundo Batalha, o homem disse que tinha o compromisso de matar 36 pessoas. "Ele disse que tirou as ideias de vídeos de decapitações do Talibã", acrescentou.
O delegado afirmou que o homem estava consciente em todos os crimes. "Ele disse que se não tivesse sido preso continuaria matando. Ele achou que todas as vítimas eram moradores de rua e disse que eles não pagam impostos, vivem às custas dos outros e que não acha isso certo."


Vítimas

Durante a tarde, a Polícia Civil divulgou uma lista com os nomes das vítimas. De acordo com o levantamento feito pela polícia até agora, a primeira vítima foi identificada como Flávia Aparecida de Paula Honório. Ela foi decapitada em um local conhecido como "Favela do Gica", no distrito de Brás Cubas, no sábado. Na segunda-feira (1º), o suspeito esfaqueou e queimou um morador de rua, que não foi identificado, na Avenida Francisco Rodrigues Filho, no bairro do Mogilar,  e deixou outro gravemente ferido.
Na noite de terça-feira (2), a vítima foi Kelly Caldeira da Silva que foi decapitada em Poá. Nesta quarta-feira, ele atacou três pessoas em diferentes pontos de Mogi das Cruzes. Uma das vítimas foi o morador de rua identificado pela polícia como Carlos César de Araújo que estava na Avenida Francisco Rodrigues Filho. Outra foi Maria do Rosário Coentro, encontrada na Avenida Antonio de Almeida, no Rodeio. A terceira, Maria Aparecida do Nascimento, foi atacada na Avenida Francisco Rodrigues Filho, na Vila Suíssa.

Prisão

Os policiais militares chegaram ao suspeito, de 23 anos, depois da ligação de uma testemunha. "Recebemos a informação da sequência de crimes e uma testemunha viu as características do veículo e denunciou pelo 190. Com a placa chegamos ao endereço do proprietário do veículo e possível autor dos crimes. Havia marcas de sangue no veículo", explicou a tenente Christiane Rocha Chenk em entrevista ao G1. "No começo ele tentou resistir à prisão, mas depois também encontramos roupas com marcas de sangue e ele confessou os crimes e disse que era para evitar um mal maior. Estamos verificando se houve ajuda de outras pessoas", detalhou.

Carro do suspeito de decapitação em Mogi das Cruzes e Poá (Foto: Jenifer Carpani/ G1)Testemunha anotou placa de carro e levou polícia
ao suspeito. (Foto: Jenifer Carpani/ G1)

A testemunha que viu um dos crimes deu entrevista ao G1, mas por medo preferiu não se identificar. "Estava indo trabalhar, quando cheguei perto vi os braços se agitando, achei que ele estava mexendo em um dos carros estacionados. Ele estava atrás de um caminhao, acho que para as câmeras não pegarem. Quando cheguei perto vi ele terminando de arrancar a cabeça dela. Fui pra cima dele. Ele disse para eu sair fora e me mostrou a machadinha. Fui para trás ele entrou no carro verde e saiu. Corri para anotar a placa."

Um dos corpos foi encontrado no bairro do Rodeio.
(Foto: Jenifer Carpani/G1)
Corpo encontrado no bairro do Rodeio (Foto: Jenifer Carpani/G1)Os crimes

Uma mulher de 38 anos, que seria usuária de drogas, foi decapitada no sábado, no distrito de Brás Cubas, por volta das 15h15. Duas pessoas que estavam com ela conseguiram fugir.

Dois moradores de rua foram esfaqueados e queimados na marquise de um supermercado na noite de segunda-feira, também em Mogi. Um deles sobreviveu e foi levado em estado grave ao Hospital Luzia de Pinho Melo, onde continua internado. Em Poá, uma mulher foi decapitada perto da linha do trem na noite de terça.

Homens dormiam embaixo de marquise de supermercado (Foto: Jenifer Carpani/G1)Moradores de rua dormiam embaixo de marquise quando foram atacados. (Foto: Jenifer Carpani/G1)

"Anteontem ele esfaqueou e ateou fogo nos dois moradores de rua. Achou que os dois tinham morrido porque deu vários golpes. Ele confessou que ontem foi até Poá e viu uma mulher usando crack perto da linha do trem. Ela começou a correr, mas ele conseguiu alcançá-la e usou a machadinha antes de decapitá-la. Então, voltou para a casa e dormiu", disse o delegado.
Batalha acrescentou que ao acordar nesta quarta o ajudante geral continuou os crimes. "Ele acordou hoje cedo e voltou ao supermercado onde os moradores de rua costumam ficar. Não tinha ninguém. Então ele foi para outro estabelecimento, onde havia vários moradores de rua. Todos começaram a correr. Um não levantou. Ele o atingiu com o machado e depois decapitou. De lá foi para o Rodeio. Achou que uma mulher era moradora de rua e de novo bateu com a machadinha. A vítima ficou desacordada e foi decapitada. Com a outra vítima, em César de Sousa, aconteceu o mesmo", concluiu Batalha.

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