quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Cadeirante se arrasta para embarcar em avião da Gol.

Anac pode multar Gol e Infraero em R$ 300 mil por embarque irregular

Cadeirante precisou se arrastar para entrar em avião, em Foz do Iguaçu.
Companhia aérea e administradora não tinham equipamento para embarque.

 
Do G1

 Katya postou na internet a foto em que aparece sentada na escada da aeronave e fala sobre a dificuldade para embarcar (Foto: Reprodução / Internet) 
Katya postou na internet a foto em que aparece sentada na escada da aeronave e fala sobre a dificuldade para embarcar (Foto: Reprodução / Internet)


A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou nesta terça-feira (2) que autuou a Gol Linhas Aéreas e a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroporturária (Infraero) pelo embarque irregular da cadeirante Katya Hemelrijk da Silva, que ocorreu na madrugada de segunda-feira (1º), no Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná. Na hora do embarque, Katya precisou se arrastar pelas escadas do avião, pois a empresa aérea não tinha um equipamento para elevar a cadeira de rodas dela até a porta do avião.
Em nota, a Anac afirmou que as duas empresas podem ser multadas “As irregularidades na conduta da companhia e/ou do operador perante à Resolução nº. 280/2013 da ANAC, que trata de passageiros que demandam atendimento especial no transporte aéreo, resultarão em autuações que podem gerar até R$ 300 mil em multas para a empresa aérea e ao operador do aeroporto”, diz trecho da nota.
Katya, que é coordenadora de comunicação, postou uma imagem do embarque em uma rede social. A foto foi feita pelo marido. Apesar da companhia dele, ela preferiu subir sozinha, já que é portadora de Osteogenisis Imperfeita, doença conhecida como 'Ossos de Vidro'. “Só não foi pior porque a tripulação e os demais funcionários estavam tão indignados quanto nós e nos ajudaram no que foi preciso, inclusive a resgatar a mala que já estava despachada para que eu pegasse uma calça”, escreveu.
“O fato de ser carregada por qualquer pessoa, inclusive pelo meu marido em uma situação como essa (escada íngreme, com piso de alumínio e úmida devido ao sereno da madrugada), gera um risco que eu não estou disposta a correr”, afirmou ao explicar que a doença provoca fragilidade nos ossos. A subida sozinha, garante, foi a melhor opção encontrada já que “os movimentos estão sob meu controle e eu conheço meus limites”, completou.
A coordenadora de comunicação também disse que não pretende processar a Gol ou a Infraero. “Já conversei com a Cia Aérea GOL e disse que não tenho a mínima intenção em processar ou fazer nenhum tipo de sensacionalismo com a situação. Minha intenção é aproveitar o ocorrido para tentar ajudá-los a se estruturar melhor, frente às adversidades que podem aparecer em qualquer momento”, disse. “O que eu quero é que as pessoas tenham uma consciência e conhecimento maior sobre como lidar com pessoas com necessidades especiais, seja ela qual for”, afirmou.
 

Melhorias

Em nota, a Gol diz lamentar o ocorrido e informou que o Stair Trac – equipamento usado para o embarque de pessoas com deficiência – da base de Foz de Iguaçu não estava disponível para uso na manhã de segunda-feira e por isso não pôde ser utilizado durante o embarque do voo 1076. “A companhia tentou com as demais empresas conseguir o equipamento, o que também não foi possível, e ofereceu outras alternativas para a cliente, que optou por seguir sem a ajuda dos colaboradores da companhia”, destacou ao dizer ainda que “tomará as medidas necessárias para evitar que casos como este volte a acontecer.”
Já a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), responsável pela administração do aeroporto de Foz do Iguaçu, observou que todas as obras feitas no terminal de passageiros recentemente foram executadas com base em requisitos de acessibilidade e que os procedimentos de embarque e desembarque de passageiros são de responsabilidade das empresas aéreas, podendo a Infraero oferecer suporte de infraestrutura quando necessário.”
A assessoria de imprensa da estatal adiantou ainda que a resolução 280/2013 da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) determina que a partir de 2015 a administração dos aeroportos deverá oferecer o equipamento para embarque e desembarque de pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. “No momento não há previsão de instalação de pontes de embarque no aeroporto de Foz do Iguaçu. Entretanto foi concluído o processo de aquisição de 15 ambulifts”, melhoria que deve atender também o terminal da fronteira.

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