domingo, 2 de novembro de 2014

Museu subterrâneo reúne 250 itens fúnebres em cemitério.

Museu Funerário reabre na Áustria com caveiras e outros itens mórbidos

Prédio fica em cemitério com o dobro de corpos que a população de Viena.
Sino para ser tocado caso alguém fosse enterrado vivo está entre objetos.

 
Da France Presse

Livro e caveira expostos no Museu Funerário, em Viena (Foto: Joe Klamar/AFP) 
Livro e caveira expostos no Museu Funerário, em Viena (Foto: Joe Klamar/AFP)
 
 
Cheio de máscaras mortuárias, caixões antigos e outros objetos mórbidos, o Museu Funerário de Viena, criado há quase 50 anos, reabriu neste mês, após um período de reformulação em que foi adaptado para a era digital.

Miniatura de carro funerário exposto no museu (Foto: Joe Klamar/AFP)Miniatura de carro funerário exposto no museu
(Foto: Joe Klamar/AFP)

Quando foi inaugurado, em 1967, o "Bestattungsmuseum" foi o primeiro museu do tipo no mundo. Agora, ele passou a funcionar dentro do Cemitério Central, que é o segundo maior da Europa em área e o que tem o maior número de pessoas enterradas no continente: cerca de 3 milhões, o dobro da população viva atual de Viena.
A entrada para o museu subterrâneo leva as pessoas ao “reino dos mortos”, ou ao submundo dos agentes funerários de séculos passados, afirmou a diretora da instituição, Helga Bock. 
Cerca de 250 itens estão expostos, alguns bem opulentos, mostrando como, para os vienenses, é importante ter uma boa “passagem para o outro lado”, não importa o quanto custe. “Para os nobres, e especialmente na Corte Imperial, os funerais eram oportunidades de demonstrar poder. O povo também adotou esse costume, e por isso Viena desenvolveu uma cultura do luto tão específica”, diz Helga.

Moldes de partes do corpo de seres humanos no Museu Funerário (Foto: Joe Klamar/AFP)Moldes de partes do corpo de seres humanos no
Museu Funerário (Foto: Joe Klamar/AFP)

Os itens expostos incluem máscaras mortuárias, avisos de morte, miniaturas de carros funerários e vários caixões.
Entre os mais bizarros está um sino que era colocado debaixo da terra, unido ao corpo por uma corda, para que fosse tocado caso a pessoa tivesse sido enterrada viva por engano.
Outro objeto inusitado é uma faca especial para furar o coração e ter certeza de que a pessoa não tinha sido enterrada viva.
Também está lá um caixão de madeira reutilizável, que possui uma porta articulada na parte de baixo, proposta pelo imperador José II em 1784 para economizar dinheiro, mas que não foi um ano depois.
No antigo museu, os visitantes podiam se deitar em um caixão uma vez ao ano, na Noite dos Museus de Viena – alguns queriam até que a tampa fosse colocada. No museu reformulado isso não vai mais acontecer. “A gerência decidiu que era totalmente inapropriado”, afirma Helga.


Beethoven e Brahms

Visitantes em uma das salas do museu (Foto: Joe Klamar/AFP) 
Visitantes em uma das salas do museu (Foto: Joe Klamar/AFP)
 

Além do museu, o Cemitério Central, ou Zentralfriedhof, também atrai muitos visitantes, e não apenas no Dia de Finados.
Muitos moradores e turistas vão até lá aos finais de semana para ver as tumbas de pessoas famosas como Beethoven, Brahms e o pop star austríaco Falco.

Vista geral do museu (Foto: Joe Klamar/AFP)A fachada do museu
(Foto: Joe Klamar/AFP)

Com 2,5 km quadrados, o local tem “metade do tamanho de Zurique, mas é duas vezes mais divertido”, segundo um ditado local.
A Áustria é majoritariamente católica, mas o cemitério tem seções para protestantes, judeus, muçulmanos e budistas. Há uma área especial também para aqueles que doam seus corpos para a ciência, uma para as vítimas do nazismo, uma para recém-nascidos e outra na qual urnas podem ser enterradas entre raízes de árvores.
Viena tem ainda um cemitério para bichos de estimação, um cemitério judaico do século 16 e um “cemitério dos sem nome”, para suicidas e cadáveres levados pelo rio Danúbio.
Outra atração para os fãs de lugares mórbidos é a cripta imperial na Igreja dos Capuchinhos, que é, desde 1633, o último lugar de descanso da dinastia austríaca dos Habsburgos, contendo restos de 145 membros da realeza.
Mas não todos os restos. A tradição dessa família dita que os corações fiquem em urnas em uma igreja, os intestinos em contêineres de cobre na catedral da cidade e só o que sobrar na Igreja dos Capuchinhos.

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