terça-feira, 25 de novembro de 2014

Mãe de aluna supostamente abusada reitera versão da menina.

Mãe de aluna supostamente abusada reitera versão da menina

Advogada que defende ex-inspetor de escola de São Paulo acusado de abusar de crianças entrou com pedido de habeas corpus.



A advogada que defende um ex-inspetor de uma escola de São Paulo acusado de abusar de crianças entrou, nesta segunda-feira (24), com pedido de habeas corpus, alegando uma série de falhas no processo. O cliente dela está preso desde maio.
A mãe de uma das alunas supostamente abusadas falou, nesta segunda, com o repórter José Roberto Burnier. E reiterou a versão da menina.
Um protesto silencioso. Com faixas e cartazes, um grupo de pais de alunos da escola questionou as falhas no processo e pediu a soltura do acusado. Eles também participaram de um manifesto a favor de Antônio, assinado por 66 pais de alunos. O abaixo-assinado foi incluído no processo.
“Não tenho nada a reclamar dele. Meus filhos amam o Antônio. Ele é muito querido. O bonito dele é que ele é sempre uma pessoa calma, uma pessoa muito educada”, diz Andrea Massoud.
Antônio está preso há seis meses e meio. Inspetor de alunos há nove anos no colégio Mackenzie, em Barueri, na grande São Paulo, ele foi acusado de estupro de vulnerável contra três meninas de três anos de idade.
Segundo a denúncia do Ministério Público, ele teria tirado a roupa das alunas e tocado nos órgãos genitais delas. A primeira acusação foi feita por uma das meninas para uma babá que, depois, contou para os pais.
Pela primeira vez desde que o caso veio a público, a mãe de uma das crianças que denunciaram o suposto abuso sexual decidiu romper o silêncio. Ela falou ao Jornal Nacional com o compromisso de não ser identificada.
“Eu conversei com minha filha, ela ficava muda, não respondia. Mas para uma pessoa da minha família ela contou tudo. Que ele passava a mão na genitália dela, no ânus e contou das outras crianças envolvidas que ele fazia também”, diz a mãe.
De acordo com a mãe, as suspeitas começaram quando as meninas se queixaram de assaduras nas partes íntimas. Ela diz que desde o começo do ano começou a perceber um comportamento estranho na filha.
“Ela sempre quis muito ir para a escola, estudar, então ela ficou muito feliz por mais ou menos uns 15 dias, de alegria. Depois ela queria sair da escola, sair da escola. Ela falava, ‘por favor, me tira da escola’”, lembra a mãe.

Na delegacia, Antônio foi colocado ao lado de outros quatro homens que as crianças não conheciam. Uma das meninas fez o reconhecimento presencial.
“Ela bateu no vidro, foi firme, falou ‘ó, é esse daí’. Foi uma coisa que até impressionou as pessoas que estavam lá, pela firmeza dela”, conta a mãe.
A outra menina ficou nervosa e fez o reconhecimento de Antônio por foto. A terceira criança também reconheceu o inspetor de alunos na fotografia. O reconhecimento e o depoimento das crianças são a principal prova da acusação e foram usados para botar Antônio na cadeia.
Casado, pais de duas filhas e com passagens por outras quatro escolas renomadas de São Paulo, Antônio está preso desde o dia 8 de maio. Pelo Fantástico, o repórter conseguiu entrevistá-lo, com exclusividade, no presídio em Guarulhos, na grande São Paulo.
“Eu sou inocente, jamais eu faria uma coisa dessa. Jamais, jamais, jamais. Jamais faria isso. Eu tenho tanto tempo já na área da educação. Jamais faria isso. Jamais faria uma coisa tão horrorosa como essa. Jamais. Quando eu li a acusação, não aguentei nem ler tudo. Porque foi muito, muito pesado, muito duro”, disse Antônio na ocasião.
A defesa de Antônio está pedindo à juíza da primeira vara criminal de Barueri que reabra as investigações. Os advogados alegam uma série de falhas no processo. O reconhecimento e o depoimento das crianças foram feitos sem o acompanhamento de um profissional especializado. As imagens das câmeras de segurança da escola, que poderiam mostrar se Antônio levou mesmo as crianças para o prédio da Educação Física, onde teria ocorrido o abuso, não foram anexadas ao processo.
A data do suposto crime, dia 22 de abril, também gera dúvida. Semana passada, o próprio delegado admitiu em uma rede social, que não era possível afirmar com certeza "quando os fatos ocorreram, nem em que local exatamente por se tratar de meninas de três anos que não têm capacidade de precisar os eventos no tempo e no espaço".
Dois laudos pedidos pela polícia foram anexados ao processo. Um deles é o laudo sexológico das três meninas. Nos três casos, a perita concluiu: "não há evidências que comprovem conjunção carnal ou outro ato libidinoso no presente exame".
Os exames foram realizados no dia primeiro de maio. Mas eles só foram juntados ao processo semana passada quando o caso voltou à tona.
O outro laudo é o do computador de Antônio. O perito escreveu: "enorme quantidade de imagens e vídeos presentes nas mídias analisadas dificulta muito o exame. Desta forma, necessário se faz informar as pastas e diretórios onde se julgam estarem localizados imagens e vídeos de importância pericial".
O laudo inconclusivo foi assinado no dia 8 de outubro – cinco meses após a prisão de Antônio. No fim da tarde, os advogados de defesa entraram com um pedido de habeas corpus para tentar soltar Antônio. Eles alegam falhas na investigação e dizem que as provas não são suficientes para manter o suspeito preso.
“O principal ponto do habeas corpus está relacionado justamente a declarações passadas pela própria autoridade policial que presidiu o inquérito que publicou em uma página da internet algumas respostas a questionamentos que lhe foram feitos totalmente contrárias ao que consta no relatório policial”, afirma o advogado Jeferson Luiz Ferreira de Matos.
O delegado responsável pelo caso não gravou entrevista porque o processo está sob sigilo de Justiça.
A Secretaria da Segurança Pública declarou que os dois laudos mostrados na reportagem, o  sexológico e o do computador, não eram fundamentais para comprovar a principal tese da investigação, a de que as crianças teriam sofrido abusos sexuais.

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