quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Jovem morta há 3 anos é finalmente sepultada em MG.

Corpo de jovem, que morreu há 3 anos, é finalmente sepultado em MG

Corpos de estudante e do namorado foram localizados no Rio em 2011.
Polícia Civil não divulga hipótese para mortes; inquérito não foi concluído.

 
Flávia Cristini e Thais Pimentel  
Do G1

Família acompanha enterro dos restos mortais de Grazielle, morta em 2011. (Foto: Thais Pimentel/G1)Família acompanha enterro dos restos mortais de Grazielle, morta em 2011. (Foto: Thais Pimentel/G1)

"A sensação é de vitória. Depois de três anos e oito meses, eu posso dizer que agora eu durmo tranquilo". O desabafo é de Alexandre Jorge da Silva, 50 anos, que finalmente conseguiu sepultar os restos mortais da filha. Grazielle Marques Silva, 20 anos, foi assassinada a facadas no Rio de Janeiro, em 2011. Na época, ala foi enterrada como indigente em um cemitério do estado fluminense, enquanto os pais ainda tentavam descobrir seu paradeiro.
Nesta terça-feira (4), os restos mortais da estudante foram transferidos para Minas Gerais. Familiares acompanharam o trajeto. Antes da viagem, a expectativa era grande, acompanhada do sentimento de dever cumprido. "É muito sofrimento, muita gente disse para deixar pra lá", contou o pai, aliviado. O enterro foi realizado nesta quinta-feira (6), no Cemitério da Paz, em Belo Horizonte.
O G1 acompanha o drama da família desde 2011. O esclarecimento do caso preocupa parentes, que buscam respostas para o crime. "Não sei de nada, absolutamente nada. A gente procura saber daqui e dali e não consegue a informação, acrescenta Silva sobre a investigação. Para a mãe da vítima, Maria dos Anjos Marques Silva, 56 anos, o sofrimento parece não ter fim diante na demora em encontrar os culpados pelo crime. "Revolta, a gente fica revoltado. É claro que a gente quer acreditar na Justiça, mas a gente vê um descaso. O sofrimento continua, essa demora tem contribuído para isso", desabafou emocionada.

Grazielle, de 20 anos, é de Belo Horizonte e sumiu no Rio de Janeiro. (Foto: Arquivo pessoal)Grazielle, de 20 anos, era de Belo Horizonte e
sumiu no Rio de Janeiro. (Foto: Arquivo pessoal)

De acordo com os pais, Grazielle só foi reconhecida, por meio de fotos, sete após o sepultamento. Depois também houve a coleta de DNA para identificação. Como a vítima foi enterrada como indigente, a certidão de óbito inicialmente não continha o nome dela, o que dificultou a remoção e transferência dos restos mortais para Minas.

O documento foi alterado depois que a Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro ajuizou ação pedindo a inclusão do nome. Segundo o órgão, a inclusão só ocorreu em julho do ano passado.
O pai de Grazielle disse que o processo para trazer o corpo foi "muito burocrático" e que esteve no Rio de Janeiro cerca de cinco vezes para resolver a situação. Além disso, ele contou que aguardava a ajuda de um centro de direitos humanos, mas houve certa demora. Somente em agosto, a família humilde obteve a quantia necessária para comprar uma sepultura, evitando o enterro em um cemitério municipal. O transporte dos restos mortais também foi pago. 
Em março de 2011, a jovem deixou a cidade onde morava, Ribeirão das Neves, na Grande BH, para passar uma temporada no Rio, com o namorado Cleiton Fernandes Cortês, de 23 anos. O rapaz também foi encontrado morto. Segundo a família, ela fazia de dois a três contatos diários, mas o último foi no dia 18 de março daquele ano.


Investigação

Segundo a família de Grazielle, a Polícia Civil do Rio de Janeiro disse que as investigações apontavam para um possível latrocínio contra o casal. Contudo, os parentes contestam a versão porque nada teria sido roubado da filha. O pai e a mãe, inclusive, falam que o celular de Grazielle está com a polícia e que gostaria de reavê-lo. Parentes da jovem também têm desconfiança de que os dois mortos tenham sido vítimas de uma ex-namorada de Cleiton, que tem um filho com ele.
De acordo com informações da Divisão de Homicídios do Rio de Janeiro, o inquérito ainda não foi concluído, e as investigações não estão paradas. A assessoria da corporação informou que parentes e amigos das vítimas no Rio e em Minas Gerais prestaram depoimentos. A polícia ainda não confirma nenhuma hipótese para os crimes e não informa se algum suspeito chegou a ser identificado e ouvido.

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