terça-feira, 4 de novembro de 2014

Ensaio no Rio mostra prostitutas que já têm mais de 60 anos.

Fotógrafo lança ensaio com prostitutas veteranas do Centro do Rio

Roberto Abreu registrou cerca de 20 mulheres em mais de um ano e meio.
Tema do ensaio surgiu de curiosidade da época da infância.

 
Cristina Boeckel  
Do G1

O fotógrafo Roberto Abreu registrou as prostitutas da Praça Tiradentes. (Foto: Roberto Abreu/ Divulgação) 
O fotógrafo Roberto Abreu registrou as prostitutas da Praça Tiradentes 
(Foto: Roberto Abreu/ Divulgação)
 

O fotógrafo Roberto Abreu lança, no dia 7 de novembro, no Ateliê da Imagem, na Urca, na Zona Sul do Rio, o livro “Confere com o original”, com ensaios feitos com 20 prostitutas da Praça Tiradentes, no Centro.
O resultado do trabalho, que durou um ano e meio, ainda não acabou. Abreu afirmou que este é um recorte e que pretende continuar a fotografar as profissionais do sexo que trabalham na região. Nascido em Muriaé, na Zona da Mata de Minas Gerais, o interesse pelo tema surgiu das memórias dos tempos de menino.
“Eu sou mineiro e acho que toda cidade do interior das décadas de 70 e 80 tem a memória da rua dos prostíbulos. E eu, que era menino, tinha uma curiosidade, um certo encantamento. Passando pelo Centro, me deparei com uma cena parecida, mas eram mulheres veteranas, algumas com mais de 60 anos”, contou ele.
A decisão definitiva de imortalizá-las diante de suas lentes veio após perceber que o processo de revitalização pela qual a área passa poderia fazer com que elas fossem empurradas para outro lugar.
Em nenhum momento eu quis passar um olhar de piedade ou de pena. Durante toda a convivência, eu não ouvi uma história trágica.
 
 
Trabalho exigiu desconstrução dos preconceitos

Roberto afirma que, para fazer um bom trabalho, foi preciso deixar de lado os tradicionais preconceitos que costumam rondar as prostitutas mais velhas: “Em nenhum momento eu quis passar um olhar de piedade ou de pena. Durante toda a convivência, eu não ouvi uma história trágica. Elas encaram como um trabalho".
Ele conta ainda que a abordagem inicial gerou uma certa confusão: “Incialmente, elas reagem como se fosse uma cantada, como se estivessem sendo assediadas por um cliente”, lembra.
Mas o fotógrafo assegura que a constância no contato é o segredo deste tipo de ensaio. “Eu vou lá quase mensalmente. Tenho procurado conviver o máximo com estas pessoas, pois para fazer este tipo de retrato tem que acontecer uma interação, uma intimidade. Algumas delas sequer chegaram a tirar a roupa”, acrescenta o fotógrafo, que também planeja uma exposição com as imagens.


Nome do trabalho veio de grafite

O título do livro surgiu em um dos intervalos do trabalho, feito no Hotel Nicácio, onde a maioria das prostitutas faz programas.
“Eu estava em dúvida quanto ao título. Estava fotografando um dos ensaios e todos os quartos do hotel são grafitados. Corre a lenda que estudantes de belas-artes grafitaram o local. Ao final do ensaio em me deparei com a frase em um rodapé e a figura da mulher. Pensei: é este. Eu acho bem intrigante”, afirma ele.
Além do livro de Abreu, o evento também contará com o lançamento dos trabalhos de Marilene Aracatti, Thereza Carvalho, Pedro Kuperman e Márcia Lacerda.

Imagem que dá nome ao livro do fotógrafo Roberto Abreu. (Foto: Roberto Abreu/ Divulgação) 
Imagem que dá nome ao livro do fotógrafo Roberto Abreu. 
(Foto: Roberto Abreu/ Divulgação)

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