sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Crise prejudica atendimento em centro psiquiátrico de Divinópolis, MG.

Crise prejudica atendimento em centro psiquiátrico de Divinópolis

Dos 155 leitos da unidade, 87 são destinados ao Sistema Único de Saúde.
Diretor hospitalar critica valor de repasses para diárias de pacientes.

 
Do G1

Clínica São Bento Menni passa por dificuldades (Foto: TV Integração/Reprodução)Clínica São Bento Menni passa por dificuldades
(Foto: TV Integração/Reprodução)

Considerada como o maior centro integrado de atendimento psiquiátrico do Centro-Oeste de Minas, a clínica São Bento Menni é mais uma protagonista dos problemas da saúde pública em Divinópolis. O local está com dificuldades para manter o atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A clínica São Bento Menni, em Divinópolis, atende pacientes de 57 cidades da região. Dos 155 leitos da unidade, 87 são destinados ao SUS e é justamente o caso desses leitos que têm deixado a instituição numa situação financeira delicada. "A diária do SUS hoje é de R$ 49,70. Tudo o que se pode imaginar em termos de custos de uma internação para o hospital está nesse valor. Não conseguimos, com o recurso que recebemos do SUS, garantir aquilo que a gente preconiza", disse o diretor hospitalar da clínica, Wallace Augusto de Almeida.
A defasagem no repasse afeta diretamente as despesas da clínica. A alimentação, por exemplo, que gera um custo mensal de aproximadamente R$ 20 mil, tem pesado no orçamento. "Para servirmos, por exemplo, um almoço, gastamos cerca de 900 quilos por mês, 250 quilos de feijão pelo mesmo período. Mas o que aumenta cada vez mais [o valor] são as carnes. A gente gasta em torno de mil a dois mil quilos de carne por mês", comentou a nutricionista Jeannine Carla Antunes Oliveira.

Recepção da Clínica São Bento Menni
(Foto: TV Integração/Reprodução)
Recepção da Clínica São Bento Menni (Foto: TV Integração/Reprodução)Tempo na fila

A defasagem na tabela do SUS interfere no atendimento de pelo menos 90 pessoas que aguardam vaga na fila de espera. "A gente deixa muitos na fila de espera. Não temos como atender a todos. A otimização do atendimento deixa de ser um ponto. Então, temos que contar com a defasagem e isso interfere demais nos projetos a serem desenvolvidos", afirmou a supervisora técnica, Shirley Soares Souza Alves.
Atualmente, 130 pessoas trabalham na clínica São Bento Menni, cujo pagamento também representa um problema, principalmente no fim do ano, período de pagamento do 13º salário. "O que a gente tem que priorizar é a folha de pagamento. Algumas coisas deixaremos de fazer e outras iremos atrasar. Também buscaremos soluções com planos de saúde, para que antecipem esses pagamentos; tentaremos ver com o prefeito e com a Secretaria Municipal de Saúde sobre o pagamento do SUS em dia. Eles não conseguem isso porque o dinheiro vem do Ministério da Saúde, cai e depois eles nos repassam", pontuou Wallace.
Para a psicóloga Cristina Vasconcelos, que está com o pai de 80 anos internado no local, é triste ver a situação. "A gente precisa de locais que saibam fazer um trabalho bem feito. Temos que fazer de tudo para esse ambiente ficar vivo e poder acolher as pessoas que precisam de tratamento", disse.
As Irmãs Hospitaleiras, congregação que cuida da clínica, acreditam numa solução viável. "Creio que a solução seria criar uma espécie de consórcio entre os 57 municípios da região, para que pudessem dar um complemento. Acredito que melhoraria bastante as condições de assistência", sugeriu Maria Ludovina Fernandes.

Paciente consome lanche na Clínica São Bento Menni (Foto: TV Integração/Reprodução) 
Paciente consome lanche na Clínica São Bento Menni (Foto: TV Integração/Reprodução)

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