quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Comitê de monitoramento do setor elétrico eleva risco de apagão em 2015.

Comitê de monitoramento do setor elétrico eleva risco de apagão em 2015

Perspectivas abaixo do normal para chuvas durante o verão embasam a análise do CMSE

ONS afirmou que informações não possuem fundamentos técnicos
ONS afirmou que informações não possuem fundamentos técnicos (Reinaldo Canato/VEJA) 

 
O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) elevou para 5% o risco de déficit de energia em 2015 no Sudeste e Centro-Oeste do país, atingindo assim o risco máximo tolerável no sistema. No mês passado, o CMSE estimava esse risco em 4,7%. Para 2014, o CMSE manteve a perspectiva de que o risco de déficit é zero. O Comitê é formado por técnicos do governo e de universidades, é vinculado ao Ministério de Minas e Energia, e observa a situação do sistema elétrico no Brasil.
Segundo o coordenador do Grupo de Estudos do Setor de Energia Elétrica (Gesel) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Nivalde de Castro, o aumento do risco significa que, para novembro, a expectativa é de que as chuvas que deveriam abastecer represas de hidrelétricas vão ficar abaixo da média histórica. "Se a previsão de chuva estivesse acima (da média histórica), o risco se reduziria", disse.
Castro disse que, na prática, o setor continua dependendo das chuvas. Se elas não vierem, o risco tende a subir. "A coisa mais imprevisível do setor elétrico é a chuva. Tem modelagens computacionais que tentam simular isso, mas pode chover em um dia toda a chuva do mês e em um mês não chover a água de um dia", disse.
A avaliação do Comitê foi divulgada no mesmo dia em que o jornal Folha de S. Paulo publicou reportagem afirmando que o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) já conta com a possibilidade de apagão entre janeiro e fevereiro do ano que vem. Contudo, em nota, o órgão nega a avaliação. “O conteúdo da matéria é alarmista e não corresponde à realidade dos resultados dos estudos do Programa Mensal de Operação do mês de novembro”, informou o ONS por meio de nota à imprensa.
O ONS, de acordo com a reportagem, teria afirmado durante uma reunião do Programa Mensal de Operação (PMO) que o fornecimento de energia seria interrompido durante a madrugada nos principais centros urbanos do Sudeste para “manter os reservatórios em níveis seguros e evitar apagões em horários de pico”. O corte seletivo dependeria de o volume de chuvas ser suficiente ou não para elevar o nível dos reservatórios de 18,27% para 30%.
 
O ONS ressaltou que as informações sobre a suspensão do fornecimento de energia nas capitais São Paulo, Rio de Janeiro, Vitória e Belo Horizonte e sobre o aumento do nível dos reservatórios não são verídicas e não possuem fundamentos técnicos. “O atendimento à ponta de carga nos meses do verão, quando se espera uma elevação natural da carga em função das altas temperaturas, está sendo analisado mês a mês, nos estudos de planejamento da operação de curto prazo, conforme vão sendo atualizadas as previsões de afluências a esses reservatórios, à medida em que se configura o início do período úmido.”

Nenhum comentário:

Postar um comentário