quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Tailândia promove festa para estimular jovens gays a fazerem teste de HIV.

Tailândia promove festa para estimular jovens gays a fazerem teste de HIV

Número de homens gays com HIV tem aumentado muito no país.
Festa testou 76 homens, dos quais 8 tiveram resultado positivo para o vírus.

 
Da Reuters
 
Modelos masculinos sem camisa participam de festa organizada para estimular jovens gays a fazerem o teste de HIV (Foto: Reuters/Athit Perawongmetha) 
Modelos masculinos sem camisa participam de festa organizada para estimular jovens gays a fazerem o teste de HIV (Foto: Reuters/Athit Perawongmetha)


Modelos sem camisa desfilavam pela pista reluzente em Bangkok ao som de música eletrônica enquanto dezenas de rapazes gays esperavam ansiosamente, tomando coragem para fazer o exame de sangue.
A equipe de saúde coletando as amostras de sangue, a maioria mulheres, parecia não combinar com o resto do cenário, mas a presença dos profissionais de saúde na festa "TestBKK" - primeiro evento tailandês para promover o teste de HIV em massa para gays - estava mandando uma mensagem poderosa.
Ao longo da década passada, o HIV se espalhou rapidamente entre homens gays, homens que atuam como profissionais do sexo e transgêneros em Bangkok, atingindo níveis de epidemia. O fenômeno foi impulsionado pelo uso de drogas ilícitas em festas, o que faz com que as pessoas sejam menos cuidadosas em relação ao sexo, dizem especialistas.
A Tailândia já foi considerada um caso de sucesso no combate ao HIV, mas hoje enfrenta taxas de infecção na população gay similares àquelas encontradas nas regiões africanas mais atingidas pela doença.
Ao se atentarem para a escala do problema, autoridades tailandesas começaram uma campanha para conscientizar sobre o HIV e estimular os testes entre aqueles mais em risco: homens que fazem sexo com homens e transgêneros.
Frits van Griensven, pesquisador de HIV e conselheiro da Cruz Vermelha Tailandesa disse que a iniciativa de se concentrar nesse grupo chave foi um passo positivo e um reconhecimento de que a Tailândia, que lidou de maneira bem-sucedida com o HIV na década de 1990, falhou em acompanhar a disseminação do vírus em certas comunidades.
Ele diz que foi apenas no ano passado que as autoridades tailandesas começaram a focar de maneira intensa na comunidade gay.
Talvez o maior passo na campanha foi ter divulgado, em março do ano passado, as diretrizes sobre como prevenir a disseminação do HIV entre homens que fazem sexo com homens e transgêneros. O documento veio 30 anos depois de o primeiro homem ser diagsnosticado com a doença no país.


Aumento do HIV

Este mês, o Ministério de Saúde Pública da Tailândia começou a oferecer drogas gratuitas para todos os pacientes com HIV, expandindo o tratamento e colocando todos os pacientes no sistema de monitoramento do estado.
Dados de 2013 estimam que a Tailândia tenha 450 mil pessoas vivendo com HIV/Aids, mas só 353 mil têm acesso a drogas entirretrovirais.
A grande comunidade gay da Tailândia, que oficialmente tem 560 mil pessoas, ou 3% dos homens entre 15 e 49 anos, é vista como vulnerável ao HIV. Em 2003, enquanto trabalhava na unidade da Tailândia dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), Griensven coletou dados mostrando que 17,3% de um grupo de 1.121 homens gays abordados em bares e saunas de Bangkok tiveram diagnóstico positivo para o vírus.


Mensagem direta

Somsak Akksilp, vice-diretor do departamento de controle de doenças do Ministério da Saúde tailandês diz que disseminar informações sobre prevenção do HIV pelos meios tradicionais não funciona com as novas gerações e que a divulgação deve ser direcionada aos homens gays. "Eles nunca assistem à televisão. Nunca leem os jornais. Então como podem receber mensagens do governo ou dos serviços públicos?", questiona Somsak. "Devemos ter mais clínicas itinerantes ou unidades que possam servi-los em lugares convenientes para eles."
O grupo Coalizção Ásia-Pacífico sobre Saúde Sexual Masculina (Apcom), organização por trás da festa "TestBKK" afirmou que 8, de 76 homens testados no evento tiveram teste positivo para HIV.

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