terça-feira, 7 de outubro de 2014

Fiéis pedem perdão a Deus por falta de chuva durante procissão em São Francisco de Paula, MG.

Fiéis pedem perdão a Deus por falta de chuva durante procissão em MG

Padre e católicos recorrem à fé para chover em São Francisco de Paula.
Durante a caminhada eles levaram água para molhar os pés do cruzeiro.

 
Anna Lúcia Silva  
Do G1 
 
Moradores fazem caminhada e pedem chuva em São Francisco de Paula (Foto: Marcelo Praxesdes/Divulgaão)Padre coordenou caminhada até o cruzeiro
(Foto: Marcelo Praxesdes/Divulgação)

Moradores de São Francisco de Paula, na região Centro-Oeste do estado, convivem há três meses com o período de estiagem e, para pedir intervenção divina, cerca de mil fiéis fizeram uma procissão e jogaram água em um cruzeiro da cidade nesta segunda-feira (6). Segundo o coordenador da ação, padre Mériton Baldoino Alves, eles também aproveitaram para pedir perdão a Deus pela destruição da natureza.
Os fiéis se reuniram na Igreja Matriz, na Praça Pedro Severino de Aguiar, e de lá partiram em direção à cruz que fica no Bairro Nossa Senhora Aparecida. Com uma garrafa de água nas mãos o padre Meríton coordenou a caminhada. Logo atrás estavam os moradores que também levavam água e uma faixa com a imagem de Nossa Senhora. Durante o percurso de cerca de dois quilômetros os fiéis cantaram e rezaram juntos.
"Essa procissão foi combinada durante as últimas missas, onde conseguimos mobilizar a população. É indiscutível temos que recorrer a Deus e pedir perdão pela destruição da natureza, para então pedirmos a misericórdia e que ele mande chuva à terra. Fiquei surpreso com a quantidade de fiéis e principalmente o número expressivo de crianças", disse o padre.
Quando a multidão chegou até o cruzeiro o padre orientou para que as pessoas jogassem água nos pés da cruz, uma tradição esquecida no tempo, segundo Baldoino. "Essa é uma tradição muito forte, onde acredita-se que jogando água nos pés da cruz a água chegará à terra. Nesse período tão crítico é preciso retomar a esse costume e rezar para que sejamos abençoados com a chuva", enfatizou o padre.

 
Moradores jogaram água nos pés da cruz (Foto: Marcelo Praxesdes/Divulgação) 
Moradores jogaram água nos pés da cruz (Foto: Marcelo Praxesdes/Divulgação)
 

Os moradores acreditam que a ação esteja funcionado, já que na manhã desta terça-feira (7) o dia amanheceu nublado, segundo a secretária escolar Roselene Raimunda de Barros, que foi com toda a família à procissão. "Fomos todos juntos pedir essa intervenção. No local nos ajoelhamos, rezamos e em seguida jogamos a água que tínhamos levado nos pés da cruz. Acho que até funcionou porque o dia hoje amanheceu nublado", disse esperançosa.
O promotor de vendas Rodrigues também carrega a esperança de que chova na cidade. Ele acompanhou a procissão, rezou e cantou junto com o grupo, mas não levou água. "Para ser sincero eu fui porque essa era uma tradição das pessoas mais velhas, então eu acabei acreditando e acompanhei até o fim", contou.
Preocissão mobilizou cerca de mil pessoas  (Foto: Marcelo Praxesdes/Divulgação)Preocissão mobilizou cerca de mil pessoas
(Foto: Marcelo Praxesdes/Divulgação)

A quantidade de pessoas unidas em prol de um mesmo ideal surpreendeu a enfermeira Itatyane Ribeiro. "Me surpreendi primeiramente com a atitude do padre. Como ele próprio disse, às vezes a gente espera muito da natureza e esquecemos de pedir a Deus uma intervenção. Achei muito bonita a atitude e o povo abraçou a causa e com uma espiritualidade", relatou.
A mobilização também chamou atenção da professora Joselene Otoni, que dá aula na cidade de Oliveira e acompanha de perto o momento crítico que a cidade tem enfrentado com a suspensão das aulas por conta da falta de abastecimento. "As pessoas acreditaram mesmo na ação. E por ter sido segunda-feira havia até muita gente. Temos mesmo que pedir intervenção. Eu fui com minha família inteira e com fé em Deus a chuva há de chegar. Na nossa cidade ainda não há racionamento, mas dou aula em Oliveira e lá as atividades escolares estão suspensas por causa da falta de água", contou.
Mesmo não estando em racionamento, o padre Mériton acredita que as orações devem ser rotineiras, por isso no próximo sábado (11) ele já marcou uma nova procissão. "Temos que pedir a todo momento por essa intervenção e esperar a misericórdia de Deus", finalizou.

Prossição até a cruz do monte  (Foto: Marcelo Praxesdes/Divulgação) 
Caminho percorrido tem cerca de dois quilômetros (Foto: Marcelo Praxesdes/Divulgação)

Nenhum comentário:

Postar um comentário