sábado, 6 de setembro de 2014

Jovem usa web e encontra pai foragido há 18 anos após matar mãe dela.

'Procurei o assassino, não meu pai', diz paraibana que encontrou foragido

Depois de 18 anos, filha usou redes sociais para encontrar pai.
Homem foi condenado pela morte da mãe dela e morava no DF.

Taiguara Rangel  
Do G1 

"Uma mente doentia". Foi como Julianne Maracajá, de 20 anos, descreveu o pai foragido após matar sua mãe há 18 anos em Campina Grande. O homem foi encontrado em Ceilândia, no Distrito Federal, depois que a universitária realizou uma busca de três meses nas redes sociais e acionou a polícia para prendê-lo. "Procurei o homem que destruiu minha vida, minha família. Procurei o assassino, não meu pai", afirmou a jovem.
Por meio das redes sociais, Julianne conseguiu localizar e ajudar a polícia a prender o pai. Depois de três meses de investigação, a universitária descobriu que o homem condenado pela morte de sua mãe levava uma vida tranquila com nova família em Ceilândia, no Distrito Federal, e ainda tinha registrado uma filha com o nome da mulher assassinada.
Rute Patrícia Maracajá foi morta a facadas aos 23 anos, em fevereiro de 1996, em Campina Grande. Condenado em 2009, após descobrir que tinha sido localizado o foragido se entregou à polícia de Ceilândia, na sexta-feira, 29 de agosto. O acusado usava o mesmo nome, trabalhava como pedreiro, constituiu nova família e ainda tinha registrado uma filha com o nome da mulher assassinada.
Criada pela avó materna desde que o crime foi cometido e o pai fugiu da Paraíba, Julianne afirmou que começou a pedir aos amigos nas redes sociais que compartilhassem uma foto, na busca pelo pai foragido.
"Queria justiça, que ele pagasse pelo mal que fez na minha infância. Não traz ela de volta, mas alivia a dor. Eu sentia que precisava fazer alguma coisa, fazer ele pagar pelo que fez. Procurei o assassino, não meu pai. Pai e mãe é quem cria e quem me criou foi minha avó. Minha avó teve três AVC depois que minha mãe morreu, enquanto ele estava levando vida normal e com família nova", explicou.
"Eu vejo como uma mente doente. Ele premeditou tudo, já tinha planejado tudo e pediu até para sair do emprego. Ele nunca foi carinhoso, mas antes de fazer [matar a ex-mulher] ele abraçava e beijava. Tinha um amor tão doentio pela minha mãe, creio que ele ficou com tanto remorso, que colocou o nome na menina", declarou a estudante.
Com foto antiga do pai, Juliane conseguiu localizá-lo (Foto: Nelsina Vitorino / Jornal da Paraíba)Com foto antiga do pai, Julianne conseguiu localizá-lo (Foto: Nelsina Vitorino / Jornal da Paraíba)

A busca

"Comecei do zero, com uma foto de 18 anos atrás. Pedi ao pessoal para compartilhar no Facebook, consegui uma pessoa que se disponibilizou a ajudar. Encontramos ele levando uma vida normal, com o mesmo nome e com uma família nova, um filho de 17 anos que tinha o nome do meu irmão, que morreu criança vítima de problema respiratório, e uma filha de 14 anos, com o mesmo nome de minha mãe", disse Julianne.
A jovem conseguiu uma foto atual do pai para comparar com a imagem antiga e, de posse da sentença condenatória proferida em 2009 na Paraíba, acionou a Polícia Civil em Ceilândia para que realizassem a prisão. "Disse ao filho dele pelo Facebook que os familiares na Paraíba estavam com saudade e pedi uma foto. Ele na inocência me passou e confirmei que era meu pai mesmo. Quando soube, ele viu que o cerco estava se fechando para ele e não tinha mais o que fazer, aí se entregou", contou a universitária.


Cumprimento da pena

O homem foi condenado a 22 anos de prisão pelo crime. O juiz Falkandre de Sousa Queiroz, do Tribunal do Júri de Campina Grande, informou que ainda decididirá se a pena será cumprida no Presídio do Serrotão, na cidade, conforme determinado na sentença de 2009, ou em uma unidade prisional no Distrito Federal.

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