segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Governo e os médicos garantem: a vacina contra HPV é segura.

Governo e os médicos garantem: a vacina contra HPV é segura

Meninas tiveram reações adversas após tomar vacina em escola de SP. Especialistas descartam que problemas tenham sido causados por vacina.



Vários telespectadores procuraram o Fantástico pedindo uma reportagem esclarecedora sobre o assunto, como a Dona Cristina. “Meu nome é Cristina dos Reis, eu moro em Niterói, no Rio de Janeiro, e tenho uma filha de 18 anos que eu ia levar essa semana agora para tomar a vacina contra o vírus HPV em uma clínica particular. Mas eu tenho ouvido tantos relatos a respeito de reações adversas graves provocadas pela vacina, que eu gostaria de saber mais sobre o assunto aqui no Fantástico”, disse ela.
O Fantástico esclarece isso na reportagem a seguir:
Luana Raiane Barros da Silva, de 12 anos, e Mariana Vitória Freitas da Costa, também de 12 anos, contaram como ficaram, há duas semanas, logo depois de tomar a vacina contra o HPV.
“Cerca de 20 minutos, por aí, e aí eu comecei a passar mal”, lembra Luana.

Fantástico: E não conseguia caminhar, não conseguia andar nada?
Mariana: Não.
“Eu comecei a sentir formigar e aí do nada as pernas pararam. Se eu ficasse em pé, nem adiantava, não dava, não dava”, diz Luana.

Passaram seis dias internadas. Receberam alta na quarta-feira. Elas não foram as únicas a passar mal. Outra jovem foi internada no hospital com os mesmos sintomas, e outras oito meninas também apresentaram problemas mais leves, como falta de sensibilidade nas pernas, dor de cabeça e tontura.
Elas estudam em uma escola em Bertioga, litoral de São Paulo. Foi lá que elas receberam a vacina.
“Um desespero, um monte de criança chorando, se tremendo, dizendo que não estava sentindo as pernas”, conta Fabíola Freitas de Lima, mãe da Mariana.
“Aí eu perguntei: ‘O que aconteceu?’ ‘Tomaram a vacina e começaram a cair’”, afirma Rosália Alves Barros, mãe de Luana.
Por que elas tiveram esses sintomas? Existe de fato uma relação com a vacina?
Desde março, o Brasil oferece essa imunização, de graça, em postos de saúde e escolas para meninas de 11 a 13 anos. Mais de 4,4 milhões já foram vacinadas.
Ao serem vacinadas, as jovens são protegidas contra os tipos mais frequentes do HPV. O Papilomavírus Humano, o HPV, é um vírus sexualmente transmissível que pode causar o câncer de colo de útero, o terceiro tipo de tumor mais comum em mulheres e o quarto câncer que mais mata brasileiras.
A vacina não usa o vírus enfraquecido, como é comum em outras, como febre amarela e sarampo. A do HPV usa apenas um pedacinho do vírus, que tem uma proteína chamada L1. Só essa proteína já é suficiente para ativar o sistema de defesa do organismo contra o HPV.
A vacina é novidade no Brasil, mas já foi adotada há muito tempo em outros países. Nos Estados Unidos, a vacina contra o HPV não é obrigatória e não é de graça. A recomendação é que meninas e meninos entre 11 e 12 anos sejam imunizados.
A reação mais observada é dor de cabeça. Há algumas investigações abertas para apurar casos, como, por exemplo, o de um adolescente que morreu dormindo seis meses depois de tomar a última dose. O Fantástico conversou pela internet com o diretor do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos. “Algumas pessoas podem ter uma reação alérgica a essa vacina, mas é algo que pode acontecer após tomar qualquer vacina. Nós conduzimos vários estudos e eles nos mostraram que a vacina contra o HPV é muito segura”, afirma Tom Shimabokuro.
No Japão, a vacina contra o HPV chegou em 2009. Porém, só em abril do ano passado teve início uma campanha nacional de vacinação. O foco eram meninas entre 12 e 16 anos.
Ao todo, 3,4 milhões de doses foram aplicadas, e 176 adolescentes que receberam a vacina apresentaram reações mais sérias. Isso dá um problema mais grave para cada 20 mil pessoas vacinadas. É pouco, mas já foi o suficiente para o governo japonês suspender a campanha.
O neurologista Toshiaki Hirai acabou de fazer um estudo com sete meninas japonesas que apresentaram sintomas: dor crônica, perda de força e sensibilidade nas pernas, e também de memória. Ele conta que uma delas não reconhece mais os pais. Exames de tomografia computadorizada no cérebro das adolescentes revelaram menos circulação sanguínea na parte de trás da cabeça.
É importante ressaltar que ainda não se sabe se existe uma relação direta entre a aplicação da vacina e os problemas que surgiram.
Mesmo com a campanha suspensa, a vacina contra o HPV ainda está disponível de graça nos principais hospitais e clínicas do Japão.
Na Grã-Bretanha, a vacina contra HPV é aplicada há seis anos. Meninas de 12 e 13 anos recebem as doses na escola.
Nos dois primeiros anos de vacinação, o governo britânico fez um estudo para avaliar a segurança. Cinco mil meninas, 1% das que foram vacinadas, relataram efeitos colaterais. Mas os médicos concluíram que eram reações esperadas, e muitas vezes causadas por efeitos psicológicos, por medo da vacina. Houve apenas um caso que chamou a atenção do governo e teve muita repercussão: em 2009, uma menina morreu horas depois de receber a vacina, mas uma investigação concluiu que o motivo foi um tumor que ninguém sabia que ela tinha. Portanto, nenhuma relação com a vacina.

No Brasil, os médicos também acreditam que as adolescentes de Bertioga, que perderam os movimentos das pernas por alguns dias, tiveram uma reação emocional, não física. “Tem a ver com essa preocupação, com o medo de que essa injeção possa doer. A própria OMS já define esse termo: ‘reação de ansiedade após imunização’”, afirma a diretora de imunização da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, Helena Sato.
Segundo os médicos, o problema é comum em adolescentes, principalmente meninas. E, quando elas estão em grupo, uma acaba 'sentindo' os mesmos sintomas da outra. “Isso já aconteceu na Austrália. Meninas que foram vacinadas reportam sensações diferentes e há como se existisse um estresse quase que coletivo relacionado à aplicação da vacina em algumas meninas que apresentem os mesmos sintomas”, conta o presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Renato Kfouri.
No hospital, Luana e Mariana fizeram exames neurológicos, testes de reflexo, sensibilidade, também uma tomografia. E a tomografia do crânio está sem alterações.
O governo e os médicos garantem: a vacina é segura. “Nós estamos falando de 0,03% do número de doses aplicadas versus número de reações reportadas”, afirma Kfouri.
“Essa é uma vacina extremamente importante. Porque é uma vacina eficaz, que previne contra o câncer”, ressalta Sato.
Ester da Cruz Romão, de 13 anos, está bem certa da decisão: “Isso previne de eu pegar doenças. Eu tomo mesmo porque isso é importante”, diz a menina.

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