sábado, 6 de setembro de 2014

Fábrica de camisinha tem maioria feminina.

G1 visita fábrica de camisinhas: ‘Conversa de que estoura é furada’

Fábrica em Alumínio produz 650 mil unidades de preservativos por dia.
Funcionárias mulheres são maioria.

 
Ana Carolina Levorato  
Do G1 
 
G1 visitou fábrica e conferiu processo de produção de camisinhas  (Foto: Emílio Botta/G1) 
G1 visitou fábrica e conferiu processo de produção de camisinhas (Foto: Emílio Botta/G1)
 
 
Se você alguma vez já usou a justificativa de que a camisinha furou para explicar uma gravidez indesejada, saiba que essa desculpa está cada vez mais difícil de "colar". "Esse papo de que o preservativo estoura é furada", garante o o supervisor de qualidade Frank Heraldo Soares, que responde pela produção das 650 mil camisinhas por dia em uma fábrica localizada em Alumínio (SP).
Por conta do Dia do Sexo, comemorado no Brasil neste sábado (6), o G1 visitou a fábrica para acompanhar o processo de produção dos preservativos. A indústria funciona há mais de 25 anos e emprega hoje 170 funcionários em vários setores de produção.
Cada camisinha recebe duas camadas de látex, passa por testes elétricos para detecção de furos, em seguida é enchida com água para verificar vazamentos e, por fim, é inflada para passar pelo teste de pressão e elasticidade. Em uma dessas análises, feitas por computadores e também de forma manual, o preservativo pode chegar a um metro de altura e receber quase 34 litros de ar sem estourar. "O látex que recebemos vem da Malásia e passa por diversos testes minuciosos. O país é hoje muito criterioso quando se fala em normas e padrões, por isso a conversa de que a camisinha furou não funciona mais. É furada literalmente", diz Frank.
Látex vem da Malásia e é colocado em moldes
(Foto: Emílio Botta/G1)
Látex vem da Malásia e é colocado em moldes (Foto: Emílio Botta/G1)No Brasil, o mercado de preservativos cresce e se especializa em atender um consumidor preocupado com a segurança, mas também exigente quanto à qualidade. Além da relação sexual, os produtos também são usados para proteção de equipamentos como sondas de ultrassonografia. São mais de15 milhões de preservativos produzidos por mês.
Por serem submetidos a tantos testes até chegar às mãos do consumidor, o supervisor que trabalha na área há 15 anos afirma que é muito difícil a camisinha apresentar uma falha na fabricação durante o ato sexual. Segundo ele, o problema é o mau uso. "Os preservativos são inflados e passam por diversos testes de qualidade. Na minha opinião, a falha ocorre quando o consumidor utiliza o produto de forma erra: rasga o pacote incorretamente, utiliza fora do prazo de validade ou armazena em locais impróprios", afirma.


Quebra de tabu

Com 17 tipos de lubrificantes, aromas e os mais variados cheiros produzidos pela fábrica, a camisinha deixou de ser um instrumento de prevenção para gravidez e doenças sexualmente transmissíveis para se tornar um "algo a mais" na relação íntima. Segundo Frank, hoje existe um nicho que estuda tendências e busca a opinião dos consumidores com diversos gostos. 
"Hoje os consumidores encontram na camisinha uma atração a mais na relação íntima. Algumas podem ser vistas até como fetiche por causa do gosto ou aroma, mas sem aquele tabu de que é imoral, errado ou até mesmo proibido. Por isso, a produção no Brasil preza atualmente pela qualidade, proteção e criatividade para apimentar o relacionamento com segurança e diversão", pondera o supervisor.
Camisinhas contém bula de instrução na
embalagem (Foto: Emílio Botta/G1)
Camisinhas (Foto: Caminsinhas)Sola de sapato e pneus

Entre as curiosidades no processo de fabricação das camisinhas está o descarte. Frank explica que depois que o látex é manipulado e o preservativo é reprovado nos testes, não é possível reutilizá-lo.
“Para não jogar fora, a indústria escolheu uma forma de descarte inteligente, já que o preservativo rejeitado não pode voltar a virar camisinha. Todas são levadas para uma empresa e viram solas de sapato flexíveis e pneus.”
No entanto, a curiosidade que mais impressiona os consumidores, segundo o supervisor, está na embalagem: todas têm bulas de instrução. “É impressionante a quantidade de pessoas que não sabem disso. A bula é mais uma forma de auxiliar o consumidor no uso correto do preservativo. Sei que muitas vezes não dá tempo nem de abrir o pacote, mas dois segundos de leitura podem ser fundamentais”, afirma Frank.
Luciana trabalha nos testes elétricos de
camisinhas (Foto: Emílio Botta/G1)
Luciana trabalha nos testes elétricos de camisinha (Foto: Emílio Botta/G1)Piadinhas

Devido ao cuidado na manipulação, as mulheres dominam os corredores de testes e exames de qualidade da fábrica. "A maioria de nossos funcionários é formada por mulheres, por causa do cuidado e atenção que elas têm. Além disso, elas são preocupadas em entregar o produto com a maior qualidade possível", diz Frank.
A auxiliar de produção Luciana Ferreira trabalha na fábrica de preservativos de Alumínio. Ela faz parte da equipe que testa as camisinhas uma a uma e conta que já ouviu diversas piadinhas nos 13 anos que trabalha no ramo. “Já ouvi de tudo um pouco. Eles brincam com o fato da gente adquirir uma habilidade, de ser delicada. No começo eu ficava sem graça, mas hoje nem ligo mais.”
Antes de entrar na fábrica, Luciana conta que trabalhava em um lava-rápidos e que não pensou duas vezes em trocar de profissão. “É muito tranquilo trabalhar aqui. A gente mexe com saúde e conscientização. Hoje as pessoas sabem mais disso e não brincam tanto. Não tenho problema nenhum em dizer que manipulo preservativos todos os dias”, afirma.


CONFIRA AS ETAPAS DO PROCESSO DE FABRICAÇÃO DA CAMISINHA
 
Preparação do composto (látex líquido)  (Foto: Emilio Botta/G1)

Preparação do composto (látex líquido)

O látex natural, matéria prima para fazer a camisinha vem da Malásia e fica armazenada no estado líquido em grandes tonéis.
CAMISINHAS (Foto: Emilio Botta/G1)

Fabricação (linha de moldagem)

O látex líquido é colocado em máquinas e aquecido. Moldes de vidro em formato de pênis com 160 milímetros recebem a primeira camada do material e vão para uma estufa. O instrumento recebe o segundo banho de látex e é resfriado, o que deixa o material com aspecto de borracha. 
Máquina camisinha (Foto: Divulgação)

Acabamento (lavagem, centrifugação e secagem)
 
Os preservativos são colocados em máquinas de lavar e para retirar o excesso de produtos químicos e aplicar o bactericida.

camisinhas (Foto: Emilio Botta/G1)

Teste elétrico (manual)

Funcionárias colocam os preservativos um a um em moldes chamados de scaners que funcionam com corrente elétrica que detectam pequenos furos. As camisinhas que passam no primeiro teste são encaminhadas para outro setor. As que não estão de acordo são descartadas. 
Preservativos são submetidos a testes de insfuflação (Foto: Emílio Botta/G1)

Teste de laboratório (insuflação e de água salina)

As camisinhas passam por um processo de insuflação e capacidade. Algumas chegam a receber uma  pressão de 18 litros. Algumas podem chegar a um metro de altura. A água salina também é utilizada para detectar furos e vazamentos. 
aromas/camisinh (Foto: Emílio Botta/G1)

Embalagem primária (dosagem de aroma/silicone)

Na sequência, os preservativos são encaminhados para a linha de produção onde recebem lubrificantes e aromas. 

Camisinhas (Foto: Camisinhas)

Embalagem secundária (sachê)

Preservativos recebem a primeira embalagem de proteção e recebem o número de lote. Essa identificação é imporante para que sejam identificados possíveis preservativos com problemas. 
Camisinhas (Foto: Camisinhas)

Embalagem terceirizada (montagem caixas)

Por fim, os preservativos são colocados em embalagens para a venda ao consumidor. Nelas está a bula de instrução. 

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