segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Aluna da UFMG acusa colegas de fazerem piada com estupros.

Aluna da UFMG se revolta com colegas por música sexista em BH

'Não é estupro, é sexo surpresa' faria parte de um dos versos.
Estudante denunciou o caso em uma rede social.

 
Thais Pimentel  
Do G1 
 
Estudante publica indignação contra música sexista que teria sido entoada por integrantes de bateria da UFMG. (Foto: Reprodução/Facebook)Estudante publica indignação contra música sexista que teria sido entoada por integrantes de bateria da UFMG. (Foto: Reprodução/Facebook)
 
Músicas que teriam sido cantadas por integrantes da bateria do curso de engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), no último sábado (20), na Savassi, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, estão gerando polêmica na internet.
Segundo publicação feita pela estudante Luisa Turbino, em uma rede social, uma das letras dizia: "Não é estupro, é sexo surpresa". Ela faz mestrado em direito na universidade.
"No sábado, eu, meu namorado e dois amigos estávamos em um bar na Savassi quando percebemos um grupo de jovens que estava falando muito alto. Por volta das 21h30, pelo menos 30 pessoas se juntaram a eles. Aí, começaram a cantar musicas machistas, enfim, as mais deploráveis possíveis. Mas quando eles começaram: 'Não é estupro, é sexo surpresa', nós nos levantamos e fomos embora", contou a estudante.
Segundo ela, o verso foi entoado por pouco mais de um minuto e nem todos estavam cantando, mas poucas pessoas que estavam no bar se indignaram.
O capitão da chamada Bateria Engrenada da Associação Atlética da Escola de Engenharia da UFMG, Bruno Saúde, admitiu que ficou sabendo das músicas mas não presenciou ninguém cantando.
"Nós fizemos um show em um evento na Savassi e decidimos fazer uma confraternização no bar. Eu cheguei meia hora depois. Me disseram que houve estas músicas, mas no tempo em que fiquei lá, não teve nada disso", contou o estudante. Segundo ele, os versos não fazem parte do repertório da banda e não foram escritos por nenhum componente dela.
A Bateria Engrenada da Associação Atlética da Escola de Engenharia da UFMG tem cerca de cem integrantes. Pouco mais de 30 participaram do encontro na Savassi, de acordo com Bruno.
A UFMG divulgou nota, informando que "desaprova qualquer tipo de comportamento discriminatório, seja ele de caráter machista, sexista, racista, homofóbico, entre outros que desrespeitem a dignidade humana". Ainda segundo a universidade, desde maio, uma resolução proíbe os trotes estudantis, como aqueles que evidenciam práticas discriminatórias.
A estudante Luisa Turbino disse que postou o caso na internet para que questões como esta sejam discutidas dentro das universidades. "Infelizmente, isso é muito comum dentro do ambiente acadêmico. Mas acho que isto não representa a maioria dos alunos", desabafou.
Ela contou que não chegou a procurar a polícia para formalizar uma denúncia, mas avalia com algumas pessoas se vai tomar mais alguma medida.

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