quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Moradores de Oliveira, MG, discutem sobre tombamentos de casarões.

Moradores de Oliveira discutem sobre tombamentos de casarões

Legalidade do processo e abrangência da área é questionada.
Iepha diz estar ciente de processo para anular tombamentos.

 
Do G1

 
Casarões apresentam arquitetura de séculos
passados (Foto: Reprodução/TV Integração)
casarão Oliveira MG casarões tombados (Foto: Reprodução/TV Integração) O tombamento de toda a região Central de Oliveira pelo Conselho Estadual de Patrimônio (Conep) divide a opinião dos moradores da cidade. Para alguns é preciso manter as características encontradas nos antigos casarões e igrejas. Mas para outros, esse tombamento deveria ter sido discutido com os proprietários dos imóveis.
O Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha) informou em nota que o tombamento definitivo do Centro Histórico de Oliveira foi aprovado por unanimidade pelo Conep.
A estilista Nem Campos reformou a casa recentemente e procurou manter as características originais da construção. “Se você pegar uma foto de 1903 vai ver que todos os detalhes foram respeitados”, contou.
Segundo a diretora do Patrimônio Histórico, Rosimeire Amaral, muitos moradores têm a mesma opinião da estilista e preservam a arquitetura histórica de da cidade. “O tombamento é muito importante. Ele existe para proteger a história e a arquitetura e muitos compartilham desse pensamento”, disse.
Mas o presidente da Associação Comercial Industrial Agropecuária e de Serviços de Oliveira (Acinol), Luís Henrique de Castro, questiona a legalidade do processo e a abrangência da área tombada. “Estamos questionando toda a área tombada. Uma área que envolve 1.200 imóveis, sendo que no máximo uns 40 de fato apresentam valor histórico e devem ser preservados”, argumentou.
Alguns proprietários se uniram e entraram na Justiça para anular o tombamento. “Quando foi determinado o tombamento os moradores não foram consultados, não tiveram oportunidade de se manifestarem em nenhuma hipótese”, relatou.


Alguns imóveis estão com estrutura comprometida
(Foto: Reprodução/TV Integração)
casarão Oliveira MG casarões tombados (Foto: Reprodução/TV Integração) Segundo o agricultor José Maria Ribeiro, mesmo com uma autorização da Justiça para demolir a casa, ele e dois homens que trabalhavam nas máquinas foram presos na semana passada. “Não sou contra o tombamento, acho muito bonito quem tem condições financeiras para manter as características antigas. Agora é uma situação complicada para quem não tem essa condição e mora em um imóvel que está com a estrutura danificada”, comentou.
Opinião compartilhada pela dona de casa Maria Helena de Jesus. “Se o dono do casarão tiver condições de preservar, isso é muito bom. Mas se ele não tem também não pode tirar dele o direito de vender aquele lote ou construir outro imóvel”, defendeu.

Em nota o Iepha informou saber da ação judicial promovida pela Acinol e aguarda o posicionamento da Justiça sobre o caso. Quanto à demolição do casarão do proprietário José Maria, o instituto disse que está em curso uma ação judicial em conjunto com o Ministério Público contra o proprietário. Já no Ministério Público ninguém foi encontrado para comentar o assunto.

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