segunda-feira, 11 de agosto de 2014

'Meu pai não tem culpa', diz menino atacado por tigre.

'Já passou, não vou olhar para trás', diz menino atacado por tigre

Em entrevista ao 'Fantástico', Vrajamany Fernandes Rocha, de 11 anos, afirmou que nem o animal e nem o pai tiveram culpa: 'Fui eu que coloquei o braço'

 

Vrajamany Fernandes Rocha, de 11 anos, em entrevista ao 'Fantástico'

Vrajamany Fernandes Rocha, de 11 anos, em entrevista ao 'Fantástico'  
(Reprodução/TV Globo/VEJA)

 
O menino de 11 anos atacado por um tigre no zoológico de Cascavel, no Paraná, afirma que já deixou o acidente para trás. Em sua primeira entrevista, concedida ao Fantástico, Vrajamany Fernandes Rocha diz que não culpa nem o animal e nem seu pai, Marcos do Carmo Rocha, que o acompanhava no zoológico, pelo ataque. "Fui eu que coloquei a mão na jaula", afirma o garoto. No ataque, ele teve o braço dilacerado pelo tigre. Internado em estado grave, ele foi submetido a uma cirurgia e teve o braço amputado. O zoológico descartou sacrificar o tigre e voltou a exibir o animal poucos dias depois do ataque. 

Vrajamany diz que não estava com medo e não pensou que o tigre pudesse atacá-lo ao ultrapassar a cerca de segurança da jaula do animal e colocar o braço entre as grades. O menino afirma que começou a escalar a jaula para chamar a atenção do animal. "Queria que ele chegasse perto", disse.
Depois do ataque, o garoto foi levado a um hospital, onde ficou internado até a última quinta-feira. "Na ambulância, eu já sabia que iam cortar meu braço", afirma o menino. Os médicos que o atenderam no Paraná identificaram duas mordidas, uma na mão direita e outra na altura da axila.
Vrajamany também defende o pai. "O meu pai não teve culpa. Ele não sabia que ia acontecer." Marcos foi chamado para depor pela segunda vez na última sexta-feira, mas não deu novas informações sobre o caso para a Polícia Civil do Paraná, que investiga de quem é a responsabilidade pelo ataque.


Investigação

O delegado responsável pelo caso, Denis Merino, afirmou na quinta-feira que poderia indiciar o pai do garoto pelo crime de lesão corporal grave. Segundo o delegado, o pai afirmou durante o primeiro depoimento que não percebeu que o garoto se aproximava do tigre porque estava ocupado com o irmão mais novo de Vrajamany, de 3 anos. Testemunhas, contudo, contestam a informação. De acordo com a prefeitura de Cascavel, o pai teria ignorado as placas de perigo e os apelos dos demais visitantes ao permitir que o filho brincasse tão perto do animal.
Marcos do Carmo Rocha também falou ao Fantástico. "Todas as posições que se levantaram, eu entendo e não culpo ninguém. Esses dez dias foram a coisa mais estranha que já vi na minha vida", afirma. "Temos uma relação de muita cumplicidade", diz sobre o relacionamento com o filho.


Adaptação 

Vrajamany, que é destro, agora está tentando usar o braço esquerdo para as atividades do dia a dia, como tomar banho e escrever. "Quero voltar a fazer as coisas sozinho rápido", diz. A família do menino ainda não sabe se ele poderá usar uma prótese e se terá condições de pagar por uma.

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