sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Injeções de botox 'poderiam ajudar no combate ao câncer'.

Injeções de botox 'poderiam ajudar no combate ao câncer'

Estudo indica que ação da toxina sobre nervo reduz crescimento de tumor, mas método ainda está longe de ser considerado tratamento.

 
Da BBC
 
Normalmente, o botox é usado em intervenções estéticas na pele (Foto: AP/BBC) 
Normalmente, o botox é usado em intervenções estéticas na pele (Foto: AP/BBC)


Injeções de botox – como as usadas por pessoas que buscam se ver livres de rugas – podem ajudar no combate ao câncer, segundo um estudo recente.
A pesquisa do Centro Médico da Universidade de Columbia e da universidade norueguesa de Ciência e Tecnologia de Trondheim publicada na revista médica "Science Translational Medicine" mostrou que os nervos podem influir no crescimento de tumores no estômago.
Feito com ratos, o experimento da aplicação de botox sugere que desativar nervos pode deter o crescimento dos tumores e deixá-los mais vulneráveis à quimioterapia.
No entanto, a organização Cancer Research UK alertou que ainda é cedo demais para dizer que as injeções poderiam salvar vidas. Normalmente, o botox é usado para relaxar músculos e "alisar" linhas de expressão, diminuindo sinais da idade.


Nervo pneumogástrico

A toxina afeta o funcionamento dos músculos, levando a um relaxamento, mas um número crescente de estudos indica que nervos também podem ter participação importante no crescimento de tumores.
A nova pesquisa examinou o papel do nervo pneumogástrico – entre o cérebro e o sistema digestivo – no câncer de estômago.
Tanto o corte do nervo quanto a aplicação de botox reduziram o crescimento dos tumores, tornando-os mais vulneráveis à quimioterapia.
"Cortar nervos pode ser a cura do câncer? Provavelmente não", admitiu um dos pesquisadores do grupo, Timothy Wang.
"Pelo menos na fase inicial, ao afetar o nervo, o tumor fica muito mais receptivo a quimioterapia. Ou seja, não vemos isso como uma cura única e sim como uma forma de tornar os tratamentos atuais e futuros mais eficazes."
Já foram feitos experimentos em pacientes que se preparavam para sofrer cirurgia para a retirada de tumores no estômago.
Também já foram feitas pesquisas sobre o papel dos nervos no câncer de próstata.
Mesmo assim, o próprio doutor Wang diz que ainda falta muito para que o método seja considerado um tratamento.
"Como tudo que surge de novo na área de câncer, mesmo quando parece ser ótimo, ao iniciar testes com pacientes, parece que o câncer é sempre mais inteligente do que nós."
Ele explicou que tumores têm a capacidade de evoluir mais rapidamente do que qualquer agente avulso.
"Derrubar uma das pernas do banco provavelmente não vai fazê-lo cair", comparou.

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