quarta-feira, 23 de julho de 2014

Seu bebê não dorme ? Por R$ 5 mil, 'encantadora de bebês' resolve.

No DF, 'encantadora de bebês' cobra R$ 5 mil para ensinar bebê a dormir

Período de 'educação' varia, dependendo do 'mau hábito da criança', afirma.
Ela disse que já recebeu proposta de salário fixo de R$ 7 mil, mas recusou.

 
Isabella Formiga Do G1
 
A 'personal babá' Damiana Souza com o bebê de
uma cliente (Foto: Damiana Souza/Arquivo pessoal)
A técnica em enfermagem e 'personal babá' Damiana Souza, de Brasília (Foto: Damiana Souza/Arquivo pessoal) Conhecida entre mães de Brasília como a “encantadora de bebês”, a técnica em enfermagem Damiana Souza cobra até R$ 5 mil por mês para ensinar recém-nascidos a dormir. Demanda ela diz não faltar.
Trabalhando com bebês há 24 anos, Dani, como é chamada pelas clientes, diz que usa uma técnica infalível para dar fim ao choro durante a madrugada e para educar bebês que parecem ter "alergia" ao berço.
“Venço as crianças pelo cansaço", diz. “Coloco a criança para dormir e, toda vez que ela acorda e chora, pego ela no colo outra vez, acalento e, quando ela para de chorar, devolvo ela ao berço. Faço isso a noite inteira, quantas vezes for preciso. Mas nunca deixo a criança chorando sozinha”.
A tendência, segundo ela, é que o bebê chore cada vez menos, até que ele se acostume definitivamente com o berço e adormeça sempre no mesmo horário. Enquanto isso, as mães descansam, já que não podem interferir e ceder ao choro do filho.
Venço as crianças pelo cansaço. Coloco a criança para dormir e, toda vez que ela acorda e chora, pego ela no colo outra vez, acalento, e, quando ela para de chorar, devolvo ela ao berço. Faço isso a noite inteira, quantas vezes for preciso."
Damiana Souza, técnica em enfermagem
A técnica diz que se hospeda na casa dos pais assim que o bebê completa 15 dias. Ela pode ficar três dias na casa da família, mas já chegou a ficar 45. "O período de 'educação' pode variar, a depender do caso e do grau do mau hábito da criança", diz.
Damiana conta que recebe ligações de mães e pais chorando ao telefone pedindo ajuda por estarem muito exaustos, com bebês que não dormem e não deixam os pais dormirem.
"Uma família tentou me contratar mas acabou desistindo por achar muito caro. Um dia, o marido me ligou desesperado, dizendo que queria ir embora de casa, estava chorando. Eu ia viajar, mas disse a ele: estou indo para a sua casa", conta. "Cheguei lá e a situação era muito crítica. A família pressionava [a mãe] a amamentar, mas ela não tinha leite. Nunca vi uma criança tão magra. Ele passava horas no peito. A mãe não conseguia tomar banho, porque a criança não saía do colo, e o bebê não dormia porque não comia e sentia fome."
Segundo Damiana, a mãe do bebê já estava ficando depressiva. "Levou um mês e pouco, mas solucionamos o problema", disse ela, que já fez cursos na área de pediatria.
A técnica conta que já atendeu mais de 200 famílias e que, durante todos esses anos, muitos pais pediram que ela ficasse definitivamente trabalhando como babá na casa deles, mas ela se recusa.
"Já recebi uma proposta escandalosa para ganhar R$ 7 mil por mês em São Paulo, mais a passagem para vir para Brasília uma vez por mês", diz.
Ela afirma, no entanto, que só fica na casa da família enquanto é útil. Assim que percebe que o bebê já está adaptado à nova rotina, avisa que vai embora.
"Eu não fico. Por dinheiro nenhum. Não acho um salário baixo, acho um salário alto. Mas eu gosto de ficar na casa das pessoas me sentindo útil", diz. "Antes de sair, treino uma babá, deixo a babá show de bola e então saio. Não fico de jeito nenhum. "
Para trabalhar um mês, Damiana cobra R$ 5 mil. Para um problema menor, que leva um fim de semana para ser resolvido, o preço é R$ 600.
Ter uma criança calma, na rotina, educada, é a melhor coisa que tem. Colocar um bebê na rotina significa ter outro tipo de adolescente. Tenho certeza que é o dinheiro mais bem pago que tem"
Damiana Souza, técnica em enfermagem
 
 
Disciplina

Enquanto fica na casa dos pais, a "personal babá" estabelece horários fixos para o bebê mamar, tomar banho, dormir e fazer as atividades. Ela afirma ser rígida e, se percebe que os pais não vão seguir as regras ou a rotina que ela pretende implantar, não continua o trabalho.
Segundo ela, a parte mais importante do serviço é identificar no comportamento dos pais o motivo dos maus hábitos dos filhos. “Na maioria das vezes, são os pais que ensinam hábitos errados para os filhos”, diz Dani. “São eles que precisam mudar”.
"Quando você pega os pais que estão determinados a acatar e a querer esse tipo de bebê, é muito rápido. Mas quando você pega os pais que querem a rotina e no fim de semana é bagunça, aí é complicado."
Damiana conta que, em alguma situações, não deixa a casa da família nem aos finais de semana, com receio de que os pais desfaçam o trabalho dela. "Já aconteceu de eu chegar na segunda-feira e perceber, pela maneira como a criança toca em mim quando pego ela no colo, que ela foi desacostumada a dormir no berço", diz. "Ela pega por dentro da minha blusa e segura firme, para eu não colocá-la de volta no berço."
A técnica diz que tem o trabalho mais fácil do mundo e que, para disciplinar crianças, basta repeitar o espaço, o horário e, principalmente, a rotina do bebê. “Ter uma criança calma, na rotina, educada, é a melhor coisa que tem”, diz. “Colocar um bebê na rotina significa ter outro tipo de adolescente. Tenho certeza que é o dinheiro mais bem pago que tem.”
Com o dinheiro que juntou nos anos de atividade, Damiana diz que abriu uma loja de produtos elétricos e hidráulicos. "Gosto muito de serviço de homem", diz. "Mexia com máquinas pesadas, agrícolas. Quero atuar nessa área."

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