sábado, 19 de julho de 2014

Produção de fogos de artifício tem histórico de mortes em Santo Antônio do Monte, MG.

Produção de fogos de artifício em MG tem histórico de mortes

Município tem registros feitos pelo Exército de vários acidentes e mortes.
Setor pirotécnico garante a economia do município.

 

Bárbara Almeida Do G1 

 
A produção de fogos de artifício movimenta a economia na cidade de Santo Antônio do Monte e também causa acidentes. A explosão que matou quatro mulheres nesta semana no Bairro Bela Vista não foi a primeira do município. Em setembro de 2013 uma pessoa morreu e outras duas ficaram feridas na explosão em uma empresa que fica na comunidade Buritis. Em maio de 2012 duas pessoas morreram em acidente em uma fábrica. Além disso, segundo o Centro de Comunicação Social do Exército Brasileiro, há quatro registros de acidentes no ano de  2009.

Fofos Santo Antônio do Monte (Foto: Reprodução/TV Integração) 
Produção de fogos de artifício em Santo Antônio do Monte é maior do país 
(Foto: Reprodução/TV Integração)
Segundo o gerente do Sindicato dos Funcionários de Fábricas de Fogos (Sindiemg), Américo Libério da Silva, a produção dos fogos de artifício exige cuidado. "O setor pirotécnico necessita de cuidado já na fabricação. Para evitar o risco de curto-circuito, por exemplo, os funcionários contam apenas com a luz natural, além de não poder estar com celulares, isqueiros ou outro material explosivo. Em alguns setores o chão chega a ser coberto de água para não haver o atrito da pólvora com o piso ou com calçados. Tudo muito artesanal", explicou.

Américo Libério ressaltou que todas as empresas da cidade passam por vistorias frequentes do Exército e que conta com a ajuda de um engenheiro químico que auxilia na prevenção de acidentes.


Polo Pirotécnico

Santo Antônio do Monte tem uma população estimada, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 27.352 habitantes. A principal fonte de renda do município sai do setor de pirotecnia. A cidade também conta com um local próprio para a verificação da qualidade e a segurança dos fogos.
Conforme informações do gerente do Sindiemg, a região Centro-Oeste mineira abriga 79 empresas nas cidades de Luz, Lagoa da Prata, Pedra do Indaiá, Japaraíba, Moema, Arcos e Santo Antônio do Monte. E apenas em Santo Antônio do Monte são 47 empresas que empregam mais de três mil funcionários diretamente e outros 12 mil indiretamente. "É uma atividade centenária na cidade que emprega pessoas de várias partes do país. Galpões tomam conta de boa parte do município e eles também estão na zona rural", comentou Américo Libério da Silva.

Causas do acidente estão sendo investigadas.
(Foto: G1/G1)
Explosão fabrica fogos de artificio Santo Antonio do Monte 2 (Foto: G1/G1)Morte de quatro trabalhadoras

Esta semana quatro trabalhadoras morreram e um ficou ferido após explosão em uma fábrica do município e, de acordo com o delegado responsável pela investigação, Lucélio Silva, as investigações continuam. "O pavilhão onde aconteceu a explosão está interditado para nova perícia técnica. Nesta quinta-feira a área isolada passa por nova perícia técnica. Pretendemos ainda ouvir várias testemunhas e finalizar o inquérito em menos de 30 dias", ressaltou.
A fábrica onde ocorreu a explosão conta com 150 construções, entre pavilhões e galpões de armazenamento.
De acordo com Lucélio Silva, nesta quarta-feira (16) foram ouvidos dois funcionários da empresa entre eles o jovem de 20 anos que estava no local no momento da explosão. "Os depoimentos demoraram cerca de quatro horas. Já o encarregado pelo setor onde ocorreu o acidente será ouvido nesta quinta-feira. A intenção é obter o máximo de informação para conseguir precisar o que causou a explosão", acrescentou.
Ainda de acordo com o delegado Lucélio Silva, no momento do acidente haviam cinco pessoas no pavilhão e, pelo regulamento do Exército parece constar que no setor de fabricação de bombas numeradas apenas quatro funcionários deveriam estar no local. "Após investigação vamos analisar se esta quinta pessoa presente no momento do acidente foi o causador da explosão. Além disso, depois da investigação se for encontrado material ilícito ou for comprovado que ali tinha mais materiais que o permitido e que isso possa ter causado a explosão, a empresa pode ser penalizada", finalizou.
Até lá, a fábrica tem licença para continuar com seus trabalhos pois apenas o pavilhão explodido ainda está isolado. Contudo, de acordo com a Polícia Civil, por decisões administrativas a empresa decidiu dar férias coletivas para os funcionários e parar com a produção temporariamente.
O G1 entrou em contato por telefone com a fábrica, que informou que está analisando as causas do acidente, para só depois se pronunciar.

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