sábado, 19 de julho de 2014

Motorista que só tem um braço é acusado de dirigir falando ao celular.

Sem um braço, motorista é acusado de dirigir falando ao celular em S. José

Aposentado foi multado por dirigir segurando celular no ano passado.
Ele alega que utilizava controle para comandos do veículo adaptado.

 
Daniel Corrá Do G1 
 
Sem um braço, motorista é acusado de dirigir falando ao celular em São José 3 (Foto: Ana Paula Cunha/G1) 
Após acidente de motocicleta em 2005, aposentado perdeu braço e perna do lado esquerdo do corpo (Foto: Ana Paula Cunha/G1)
 
 
Uma autuação – no mínimo curiosa – tem causado preocupação a um motorista em São José dos Campos. Deficiente, sem o braço esquerdo, o condutor foi autuado por dirigir segurando um celular com o braço direito. Assustado com o tipo da autuação, uma vez que seria inviável dirigir e segurar o aparelho ao mesmo tempo, ele também nega que outra pessoa tenha utilizado o veículo na ocasião.

O caso aconteceu com o aposentado Dejanir Bueno de Souza, de 70 anos, no dia 10 de julho do ano passado, na zona sul do município, mas até agora não foi resolvido. “Eu estava segurando o controle que fica no volante. Uso ele para controlar seta, buzina, faróis e limpador de para brisa. Não tinha nem como eu segurar o celular”, afirmou.

Após um acidente de motocicleta em 2005, o aposentado perdeu o braço e a perna no lado esquerdo do corpo. O carro que ele utiliza é adaptado e possui dois adesivos para identificação de deficiente. A carteira de habilitação também é especial e segundo ele, nenhuma outra pessoa utiliza o veículo.

“Fui tentar conversar com o agente de trânsito depois, mas ele me disse que somente os adesivos não adiantam e que eu teria que andar com o vidro aberto”, conta Dejanir. A multa por dirigir falando ao celular é de R$ 85,13 e acumula quatro pontos na carteira. “Paguei a autuação para conseguir pelo menos fazer o licenciamento do meu carro”, explica.
Recurso
 
Após buscar orientações, o aposentado deu entrada ao processo para recorrer da multa na última quarta-feira (16) e aguarda o prazo de dez dias solicitado pela Secretaria de Transportes. Esta não é a primeira vez que uma autuação desse tipo acontece com Dejanir. No ano passado, um agente de trânsito o multou de forma indevida em Atibaia. Após reclamar do caso, a notificação foi retirada pela prefeitura sem necessidade de pagamento.

“Queria chamar atenção, porque os agentes notificam sem saber. Eles não têm conhecimento correto e capacitação para saber diferenciar o aparelho para deficientes”, diz. Ele também espera conseguir o ressarcimento do valor pago.

“É uma situação muito complicada. Agora saio no trânsito e fico preocupado. Tenho ótimas condições para dirigir e estou dirigindo bem, mas eles estão me atrapalhando. Hoje, o carro é minha perna, é com ele que consigo me locomover e fazer minhas coisas”, diz.


Outro lado

A secretaria de Transportes informou que os agentes de trânsito fiscalizam o respeito as normas do Código de Trânsito e que não faz distinção entre motoristas. Em caso de discordância da autuação, o condutor pode recorrer. O processo é julgado pela Junta Administrativa de Recursos de Infrações (JARI). Se a solicitação do motorista for deferida, os pontos são retirados e o valor pago ressarcido.

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