quinta-feira, 17 de julho de 2014

Cientistas estudam caso de irmãos turcos que andam como quadrúpedes.

Cientistas estudam caso de irmãos turcos que andam como quadrúpedes

Estudo conclui que síndrome não é sinal de uma "evolução às avessas".
Pacientes andam de quatro para se adaptar a deficiências.

Do G1
 
Imagem de vídeo mostra um dos pacientes cujo
caminhar quadrúpede foi avaliado pelos cientista
(Foto: Shapiro LJ, Cole WG, Young JW, Raichlen DA,
Robinson SR/Divulgação)
Imagem de vídeo mostra um dos pacientes cujo caminhar quadrúpede foi avaliado pelos pesquisadores (Foto: Shapiro LJ, Cole WG, Young JW, Raichlen DA, Robinson SR/Divulgação) Um novo estudo analisa uma família turca de 19 irmãos, dos quais cinco apresentam o comportamento de andar de quatro, apoiados sobre pés e mãos.
O caso tornou-se conhecido com a exibição de um documentário sobre o assunto da emissora britânica BBC, em 2006. A chamada síndrome de Uner Tan – caracterizada pela falta de equilíbrio e coordenação, habilidades cognitivas reduzidas e andar quadrúpede – a princípio foi vista como uma forma de retrocesso evolutivo: um retorno à forma de andar dos primatas.

O novo estudo, porém, concluiu que a forma peculiar de locomoção dessas pessoas não é uma forma de “evolução às avessas”. Trata-se apenas de uma estratégia desenvolvida pelos pacientes para se adaptar à inabilidade de andar de forma ereta. Eles sofrem de uma instabilidade no tronco, de causa ainda não esclarecida, que os impede de andar somente sobre as pernas. O estudo, liderado pela Universidade do Texas, nos Estados Unidos, foi publicado nesta quarta-feira (16) na revista científica “PLOS ONE”. Veja vídeo que mostra a caminhada de um dos pacientes.
A conclusão foi possível graças à análise de imagens da caminhada de pessoas com essa síndrome. Os pesquisadores avaliaram filmagens de 513 passadas quadrúpedes dos cinco irmãos da família turca retratados pelo documentário da “BBC”, quatro mulheres e um homem.


Diagonal x lateral

O que levava à hipótese de que o fenômeno de andar sobre os quatro membros seria uma forma de evolução reversa era a suposição de que a caminhada dessas pessoas era semelhante à dos primatas não-humanos. Esses animais andam com pisadas que seguem uma sequência diagonal: um membro anterior toca o chão seguido pelo membro posterior do lado oposto.
A observação cuidadosa das filmagens demonstrou que esses pacientes, diferentemente dos primatas, têm pisadas que seguem uma sequência lateral, ou seja, um membro anterior toca o chão, seguido pelo membro posterior do mesmo lado. O comportamento não poderia caracterizar, portanto, um retorno à forma de andar dos primatas, pois tratam-se de formas diferentes de caminhar.

Os pacientes com a síndrome de Uner Tan, na verdade, têm um andar quadrúpede semelhante ao observado em pessoas saudáveis, quando orientadas a andar com apoio nos pés e nas mãos. “Apesar de ser incomum o fato de humanos com a síndrome de Uner Tan andarem com os quatro membros, essa forma de quadrupedia parece aquela de adultos saudáveis e não é de forma alguma inesperada”, diz a pesquisadora Liza Shapiro. “Como demonstramos, a quadrupedia em adultos saudáveis ou naqueles com uma deficiência física pode ser explicada usando princípios biomecânicos, em vez de hipóteses evolutivas”, completa.

O caso dos irmãos turcos foi o primeiro a ser descrito pela medicina. A descrição foi feita pelo neurocientista Uner Tan, que deu seu próprio nome à síndrome. Outros casos foram identificados posteriormente. Apesar de os sintomas variarem de um paciente para outro – com ocorrência de problemas na fala e hipoplasia cerebelar, por exemplo – a caminhada sobre os quatro membros é comum a todos.

Imagens mostram uma comparação do caminhar de um primata (o babuíno, no alto) - em sequência diagonal - e o caminhar de um mamífero não primata (o gato, embaixo) - em sequência lateral  (Foto: Muybridge E (1887)/Divulgação  ) 
Imagens mostram uma comparação do caminhar de um primata (o babuíno, no alto) - em sequência diagonal - e o caminhar de um mamífero não primata (o gato, embaixo) - em sequência lateral (Foto: Muybridge E (1887)/Divulgação )

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