quinta-feira, 19 de junho de 2014

Fotos do mesmo torcedor que grita se multiplicam em anúncios na Copa.

Fotos do mesmo torcedor que grita se multiplicam em anúncios na Copa

Publicitário estima que já teve fotos usadas em mais de mil campanhas.
Fotos feitas por 'publicitário-fotógrafo-modelo' saíram até no exterior.

Darlan Alvarenga Do G1

 
O torcedor brasileiro padrão tem cabelo castanho claro, usa barba e grita. Ao menos do ponto de vista das imagens que aparecem em boa parte das peças publicitárias relacionadas à Copa do Mundo. E não se trata de um modelo profissional. "O torcedor que grita" é o publicitário e fotógrafo Filipe Frazão, de 29 anos, que calcula ter sua imagem usada em mais de mil campanhas no Brasil e no exterior, incluindo não só pequenos anunciantes, mas também empresas como Visa, Hyunday, Brahma, Claro, Fast Shop, Ricardo Eletro, Magazine Luiza, Walmart e Centauro, entre outras.
As fotos foram feitas pelo próprio publicitário e comercializadas em sites de bancos de imagens, como Shutterstock, iStock, Fotolia e o brasileiro CrayonStock.
"É uma coisa meio louca. Eu sabia que, por ser Copa, alguma coisa ia vender, mas foi uma explosão. No último mês, a cada dia umas cinco pessoas me ligavam para falar que tinham me visto não sei onde. Tem gente que me viu até na Itália e na Espanha", diz Frazão, que já reuniu cerca de 200 anúncios de revistas, sites, lojas, correspondências e até embalagens com sua imagem estampada. Veja abaixo alguns exemplos:

Fotos do mesmo torcedor que grita  se multiplica em anúncios para Copa (Foto: Arquivo Pessoal) 
Fotos do mesmo 'torcedor que grita' se multiplicam em anúncios durante a Copa 
(Foto: Arquivo pessoal)
 
 
O publicitário conta que começou a produzir fotos com temáticas do Brasil e da Copa do Mundo há cerca de 3 meses, em seu horário livre, no estúdio improvisado dentro da própria casa. Nesse trabalho, Filipe "jogou nas 11 posições". "Mais de 70% das fotos, eu fiz sozinho. Preparava a câmera, acionava o disparador e corria para fazer a pose. Se não ficava bom, fazia de novo", explica.
O fotógrafo também conseguiu emplacar a namorada, Fernanda Kairys, em várias campanhas. Uma série de fotos do "casal de torcedores que grita" foi uma das mais usadas nas propagandas que procuraram relacionar a Copa com o Dia dos Namorados.
"Quanto mais foi vendendo, mas fui me empolgando. Minha namorada já tinha vontade de ser modelo, e é a primeira a publicar no Facebook quando vê uma propaganda com a gente", diz o jovem paulista, que abasteceu os bancos de imagens com mais de 300 fotos relacionadas à Copa e ao Brasil, com "Filipes" em vários ângulos e caretas, incluindo versões com bandeiras de outros países participantes do Mundial.


3 mil downloads em um mês

Filipe estima que, só no último mês, foram feitos cerca de 3 mil downloads de fotos de sua autoria nos bancos de imagens. Segundo ele, parte do sucesso pode ser explicada pela quantidade de variações sobre um mesmo registro e temática. Confira aqui o portfólio do fotógrafo.
"Como trabalho com marketing, procuro dar um tratamento publicitário às imagens, de forma que as fotos já estejam prontas para o cliente final", explica o jovem, acrescentando que ainda é baixa a oferta de imagens tipicamente brasileiras disponíveis nos bancos de imagens.
Apesar do sucesso e do lucro com a Copa, Filipe diz que ainda é cedo para se dedicar integralmente à carreira de "fotógrafo-modelo". O publicitário recebe, em média, menos de R$ 5 de comissão por imagem usada. "Tem que vender muito para valer a pena. Acho até que esse mercado está um pouco saturado. Tem que fazer um trabalho muito diferenciado para ter sucesso", avalia o profissional, que trabalha como diretor de marketing no supermercado da família, produzindo todo o material publicitário da empresa. "Já vi até supermercado concorrente usando foto minha", brinca.


Custo para anunciantes

Para o fundador e CEO da CrayonStock, Luca Atalla, o fato de Filipe ter um rosto considerado comum também contribuiu para a alta utilização das imagens do publicitário. "É evidente que os consumidores se identificam muito mais com pessoas que se parecem com eles do que com modelos 'tradicionais'", avalia.
Mais que falta de criatividade das agências, o baixo custo das fotos seria a principal explicação para a multiplicação do torcedor Filipe nas propagandas. "Não importa se a sua empresa é grande ou pequena, hoje em dia é preciso disciplina nos gastos, e esse tipo de foto não exige um investimento exorbitante", afirma Atalla.

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