segunda-feira, 24 de março de 2014

Hospital se nega a atender grávida em trabalho de parto e gritando de dor.

Hospital se nega a atender grávida em trabalho de parto em Santos

Casa de Saúde anunciou que fecharia o PS obstétrico apenas em maio.
Marido conta que mulher chegou no hospital gritando de dor e foi ignorada.

Mariane Rossi Do G1

Douglas e Mariana irão ter o primeiro filho
(Foto: Douglas Tripicchio/Arquivo Pessoal)
Douglas e Mariana irão ter o primeiro filho  (Foto: Douglas Tripicchio/Arquivo Pessoal) Uma grávida que estava prestes a dar a luz teve o atendimento negado, na madrugada deste domingo (23), na Casa de Saúde de Santos, no litoral de São Paulo. Segundo o marido dela, a atendente do pronto socorro obstétrico do hospital disse que o diretor não permitiu que ninguém desse entrada na unidade. A Casa de Saúde de Santos anunciou, na última sexta-feira (21), que pretende fechar o pronto socorro obstétrico, mas que a decisão valeria apenas a partir de maio. Agora, a família procura um outro local para realizar o parto, já que, segundo o médico, a criança deve nascer neste domingo.
O operador naval Douglas Tripicchio, de 31 anos, conta que a esposa Mariana Tartarini Grigoleto Tripicchio, de 27 anos e grávida de quase nove meses, começou a sentir fortes contrações por volta das 4h. Eles tinham marcado com o médico que, na segunda-feira (24), Mariana passaria por exames e daria entrada no hospital Casa de Saúde para realizar uma cesariana. Mas, devido as fortes dores da esposa, Douglas resolveu levá-la ao hospital neste domingo.
Quando chegaram na unidade médica, eles receberam a informação de que Mariana não poderia ser atendida. “As portas estavam fechadas, tinha segurança impedindo a entrada. Uma atendente disse que tinha uma orientação da direção que não era para abrir ficha para ninguém que chegava lá. A enfermeira chefe disse que não dava para atender”, conta Douglas.
O jovem não soube o que fazer e ligou para o médico que está acompanhando a gestação de Mariana. O profissional confirmou que existiam médicos na Casa de Saúde, mas que o atendimento não estava sendo realizado. Ele se ofereceu a atender Mariana no hospital Ana Costa, mesmo que o plano de saúde dela não cobrisse o atendimento naquela unidade. A grávida passou pela avaliação médica e voltou para casa.
Douglas voltou a ligar para a Casa de Saúde e recebeu a informação de que não há uma previsão de quando o atendimento médico para as grávidas será normalizado. Segundo o jovem, os funcionários alegam que o hospital não tem vaga na UTI neonatal e, por isso, não estão recebendo os casos de emergência.

Mariana, que está com de 8 meses e meio de gestação, continua sentindo contrações. "Ela está no começo da dilatação. Estamos acompanhando. Ela teria que voltar hoje de tarde para o hospital", explica. Douglas ainda não sabe onde Mariana poderá fazer o parto e onde será atendida, já que há poucas opções na região. “O hospital São Lucas está fechado, Beneficência não tem mais e o Ana Costa não cobre o nosso plano. Só temos a Santa Casa. Ela vai ter que ser atendida lá por um médico plantonista, desconhecido. Eles não falam claramente o que esta acontecendo. Ela vai ter que passar em um plantonista. Essa é a minha indignação. É um total descaso”, reclama.

Douglas pretende fazer um boletim de ocorrência de negligência médica. “Uma mulher gritando de dor e ninguém atender é uma negligência médica. Vou estar ligando para a polícia para ver se é cabível um boletim de ocorrência”, finaliza.
O G1 entrou em contato com a Casa de Saúde de Santos, que afirmou que não pretende se pronunciar sobre o assunto.

Casa de Saúde de Santos, SP
(Foto: Reprodução / TV Tribuna)
Casa de Saúde de Santos, SP (Foto: Reprodução / TV Tribuna)Fechamento Pronto Socorro obstétrico

A Casa de Saúde de Santos, no litoral de São Paulo, anunciou nesta sexta-feira (21) que pretende fechar o pronto socorro obstétrico. A decisão valeria já a partir de maio. Esse é o segundo hospital da cidade a adotar essa medida.
Segundo a Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia do Estado de São Paulo, o PS para gestantes da Casa de Saúde atende 1000 mulheres por mês. Sem esse Pronto Socorro, e com a maternidade da Beneficência Portuguesa que já está fechada, as gestantes que têm plano de saúde podem ter problemas em breve.
A Sogesp quer evitar o fechamento do PS obstétrico da Casa de Saúde e vai fazer uma denúncia no Ministério Público. O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo disse que apoia as orientações do Conselho Federal de Medicina, e as normas e resoluções vigentes no país, e que está acompanhando as negociações. Afirmou ainda que as instituições privadas têm direitos constitucionais de adequar suas diretrizes administrativas.
Na segunda-feira (24) está marcada uma reunião entre o Cremesp e a sociedade de ginecologia e obstetrícia e outra reunião entre o presidente da Unimed e representantes da Casa de Saúde para resolver o problema.

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